quarta-feira, 15 de novembro de 2017

QUANDO EU PAGAVA MEIA...

 
O nome do cine era Universo. Tinha o teto retrátil. O que era muito mais interessante que a maioria dos filmes que passavam...
Era mágico e excitante ver aquele portal gigante abrindo lentamente no final de cada sessão. E tinha sempre um noticiário em branco e preto, antes dos filmes. O Primo Carbonari. Com trilha orquestrada, notícias em voz padrão e um jogo no Maracanã apinhado de gente e repleto de emoção. Eu gostava daquele balé de pernas, filmadas de baixo pra cima, driblando e passando a bola em “slow motion”.
Toda sessão era assim. Além de que, a maioria dos cinemas apresentava sessões duplas. “Dio Come te amo” era batata, antes da estréia de um novo filme, deixando ainda mais romântica, a adolescência paulistana. Ninguém reclamava. Tudo era cinema! Cada um com sua magia...
Gazeta, Gazetinha e Gazetão, vizinhos dos famosos cursinhos. E fiéis parceiros dos gazeteiros. Fontana e sua sessão tripla! Copan e Belas Artes, presença dos artistas! Cada cine, com o charme do seu tempo. E todos com um cheiro dominante. Mofo com aromatizante! E pipoca amanteigada...
Cines de som horroroso. Cadeiras de madeira e duro encosto. Por onde deslizavam chaves e carteiras. E depois de sentar, a estranha mania de observar... 

A mulher mais nova e o senhor sem cabelo. O homem magro, de rosto vermelho. A mulher que saiu do cabelereiro. E tantos Eduardos e Mônicas, sem moto, sem camelo...
Tudo num só cenário. Numa só sessão. E antes do filme começar, o cara gigante que sentava na nossa frente... Roubando parte da legenda e a paciência da gente.
Coisa de cinema. E tudo encantava.  Mas o cine Universo superava! Quando não chovia, o enorme teto se abria... Pra que até os anjinhos, lá de cima, dessem uma entradinha. Pura cortesia!  
  
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PENDURANDO ORQUÍDEAS

 
Parece que combinaram.Todos os meus vizinhos da rua. Os da direita, os da esquerda e os de frente... Resolveram pendurar orquídeas em suas árvores defronte aos prédios onde moram, no comecinho do mês de setembro. E parece que as plantas acolheram docemente o local da exposição. Florindo, todas ao mesmo tempo, numa explosão de cores em meio ao concreto e o cinzento das ruas.
Tem as amarelas. As brancas e lilases. As roxas. As azuis. E até as múltiplas róseas! Desde então, minha caminhada não tem sido a mesma. Agora, a pé pela calçada, não penso nas tarefinhas ordinárias, nas compras do mercado, no político safado, na conta que não fecha. Agora vejo árvores! Suas cores. Seus tamanhos. Seus troncos enfeitados.
Percebi duas quaresmeiras entre os enormes chapéus de sol. Uma pitangueira. Dois Ficus. E uma pequena e florida, que ninguém sabe o nome. Nem o porteiro do prédio. Linda. E com orquídeas penduradas, mais ainda!
Penso que foi essa delicadeza que despertou o meu novo olhar... E me atrevo a imaginar que, talvez,  um dia, a gente pudesse pendurar orquídeas em todo lugar.
Naquele quartinho de casa, cheio de quinquilharias, roupas e sonhos amarrotados... Uma orquídea por lá, não iria nos provocar?  E uma orquídea no porão ? Uma no estacionamento ? Outra, no viaduto de cimento. Ah.. e uma enorme, bem no pescoço do chefe avarento.  Não custa tentar... 
Pendurar orquídeas é bom demais! E elas mudam nosso olhar! Na minha rua já temos nas árvores, nas praças, nos jardins e quintais. Pensamos, agora, em orquídeas nas rampas de Brasília... 
Mas seria contraste demais! 

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

AI, QUE MEDO!


Medo é coisa chata de sentir. Nos apequena. Engole. Acovarda.
Nem falo dos medos mais profundos, que assolam a alma humana. O envelhecimento. As perdas. A solidão... Medos insolúveis, abismais...
Falo dos medos mais banais. Medos tolos que vem da infância. Muitos deles, surreais...
Meu irmão tinha medo de escada rolante. O outro, de lagartixa. Eu tinha medo de areia movediça. Presente na maioria das séries dos anos setenta... Como se fosse comum alguém passear e se perder em um pântano! De repente, lá estava o fulano se afundando lentamente, sem ter um galhinho sequer para segurar. Eu morria de medo daqueles terrenos traiçoeiros e movediços que engoliam as pessoas.
Lembro também de alguns medos terceirizados. Aos seis anos de idade, me contaram que o vizinho tinha medo da esposa. Fiquei muito impressionada. Esposa! Seria pior que raposa? Eu tremia quando diziam para o pobre coitado, toma cuidado, a esposa vem aí! Coisas de criança...
Hoje não tenho mais medos imaginários. Os medos reais me tomaram pela mão e desse jeito vou seguindo em frente. Com medos que começam no ouvido. No som do estampido. Das balas perdidas. Medo da violência desmedida! Medo do assalto. E do roubo no Planalto. Medo da guerra. Do Trump e do louco da Coréia. Medo do preconceito movediço que volta e meia nos rodeia. Que cerceia e nos atola. Medos de agora!
Quem dera voltar à idade dos medos banais... Aqueles que a gente consegue enfrentar... No próximo verão, por exemplo, pretendo viajar na boa, de avião... Prometo tentar!
Mas o medo daquele gato listrado da Alice, que aparece e desaparece... este vou precisar de muita terapia para enfrentar ! 
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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

MEU RALO FAVORITO...

 
 
Não era uma pedra.  Era um ralo no meio do caminho. Um grande ralo, no meio da história...
Também não era um caminho. Era uma quadra improvisada, onde os alunos, alegres e indiferentes ao fato, jogavam basquete, volei e futebol. O que deixava um tanto rústicas, as aulas de educação física do Colégio Padre Anchieta, no antigo bairro do Brás...
As tabelas de basquete, presas na parede, eram de tamanho oficial, já as dimensões da quadra, não passavam perto...  Espremida no vão do pátio, o chão era o que mais complicava. De bloquetes sextavados e ásperos. Sem área de escape. E com aquele incrível ralo no meio.
Pra não perder o controle da bola, o melhor era driblar o bendito, ou bater bem no “meinho”. Coisa de craque! E, modéstia a parte, técnica que eu dominava...
Já nos jogos de volei, a coisa era diferente. Só os levantadores, fixos na época, é que sofriam. Vez ou outra alguém torcia o pé. E a gente se perguntava, como podia um colégio ganhar tantos jogos e torneios, treinando numa quadra com ralo?
Eu mesma, que vinha de um colégio modernizado após um terrível incêndio e com uma quadra oficial, onde a turma treinava e nunca ganhava, ficava embasbacada.
Mas que nada! O colégio Padre Anchieta tinha algo. Alma. E, com certeza, alguns fantasmas infiltrados... Principalmente no final dos corredores do prédio velho, de azulejos portugueses, e nos banheiros amplos e assustadoramente vazios...
Voltei lá, há uns dez anos atrás, para visitar o colégio junto com outros ex-alunos. O prédio agora abriga a Oficina Cultural Amácio Mazzaroppi.
Ficou linda a restauração! Continuam belas as antigas janelas de vitrais coloridos, e as escadas em caracol. A quadra ainda está lá. Agora, um pátio de apresentações. Com seu ralo de ferro. Quadrado. Bem no meio.
Olhei de pertinho. Os olhos encheram de água e percebi o quanto era mágico aquilo tudo. Eu adorava aquele ralo. Que se chamava superação!
 
 
 
   Foto atual da antiga quadra, agora palco de apresentações teatrais.
 
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

SEGUIMOS SEM SABER...

 
E amanhã? O que virá?  Sol? Chuva? Uma noite escura? Ou uma bala perdida, no peito... no meio da rua?
E depois de amanhã? Quem é que pode afirmar? Vem Sucesso ou vem cansaço? Depois de tantas lutas. Obstáculos. Bate o desassossego e o coração em pedaços...Virá um livro? Um filho? Um marca passo? Talvez um rompimento. Ou um novo casamento?
Não sabemos de nada. Nada do que vem pela estrada. Esperamos a sorte. Vem a morte. Esperamos a carta, vem o corte. Ganhamos dinheiro. Perdemos saúde. Esperamos a fama, ela deita na cama!
Quantas e quantas vezes, conseguimos o oposto do que imaginamos? Como se a vida se divertisse e nos empurrasse sempre rumo ao desconhecido. Tudo volátil. Nada com precisão. Como um pênalti, marcado aos quarenta e cinco do segundo tempo, sinalizando a iminente vitória. Mas a bola vai fora!
Tantas vezes não foi assim? Queria ser dentista, virou marceneiro. Queria casar com o médico, acertou-se com o padeiro. Programou férias dia dois de julho, se acidentou no dia primeiro! Ah, os planos e projetos ... Quase nunca dão certo!
Ontem mesmo, pensei em jogar na mega-sena para ver se ganhava um dinheirinho... Levaram minha carteira, meu celular, e meu sonho no caminho.
Triste está o mundo, com medo do amanhã. No Brasil. Na França. Na Síria. No Irã... Mas vamos seguindo... Enfim, a vida é do jeito que deve ser.  
Surpreendente. Dolorosa. Imprevisível assim.  Saber o que vem adiante? Quem me dera. Ai de mim! Mas enquanto houver mar, amor e um pouquinho de humor...
Vou com medo, mas vou até o fim!
 
 
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quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O CARDÁPIO DA VIZINHA

 
Ganhei novos vizinhos ao lado. No apartamento vinte três! 
Nas primeiras semanas, pensei que se tratasse de um “masterchef”. Depois, imaginei um casal, com uma mulher meio gorda, dessas que vivem para cozinhar. Ou,  uma família abastada, com sua cozinheira genial...
Acontece que meus dias não estão sendo mais os mesmos. Logo pela manhã, sou acordada por um cheiro irresistível de pão com manteiga, torrado na chapa. Outras vezes, uma espécie de tapioca com côco e azeite de dendê! Seria ela nordestina? Não sei, ainda... 
No almoço, carnes e peixes variados. Com temperos e aromas fantásticos, que despertam a gula em qualquer mortal carnívoro. Com certeza, não são vegetarianos...
E à tarde, quase sempre, um bolo de laranja! Sabe o que é sentir cheiro de bolo de laranja com café, às cinco da tarde? Felizmente, é muito raro ficar em casa neste horário. Mas é à noite, quando estou chegando, despedaçando-me de fome e cansaço, que vem a tortura final. Já no corredor, o cheiro dos molhos mais exóticos...  Nuances de macadâmia, molho madeira, manjericão...

Por  Deus! Está ficando cada vez mais difícil comer aquela saladinha leve de alface e tomate todas as noites, sentindo os aromas inebriantes que penetram pelas frestas da porta e das janelas do apartamento.
Semana passada, encontrei na porta, a incrível vizinha do vinte e três. Magra. Esbelta. Muito bem vestida. Perguntei, cordialmente, se era ela que cozinhava e tão bem. Simpática e gentil, ela sorriu e fez sinal com a cabeça dizendo que sim! Não perguntei mais nada. Nem mesmo se ainda trabalhava fora.
Vai que ela diz que é CEO de uma empresa e líder do mercado. Seria muita competência... morando ao lado!


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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MEMÓRIA DE PAPEL

Dizem que os franceses carregam os pães debaixo do braço. Por tradição. Também não são chegados a banhos diários. Povo estranho esse que vive na bela Paris!
Lembro quando minha única tarefa de filha era buscar o pão às cinco da tarde. Os pãezinhos vinham, todos, naquele clássico saquinho marrom que resiste até hoje. Papel grosso, que amassa fácil e fica excelente para escrever música e poesia.
E a bengala, quente e estalando, vinha enrolada num papel rosa. Papel duro. Que mais tarde foi substituído por um meio transparente, vegetal, parecido com o papel que envolvia as barrinhas de chocolate, só que mais grosso. Ah... as sedas dos chocolates.
Era lindo abrir o lingote de “Diamante Negro” e desfolhar o papel que o envolvia, em cima de uma tira de papelão. São os papéis da minha memória. Que vem numa espécie de trem das cores e de espessuras. Como o papel azul que envolvia a maçã, perpetuado na música...
Papéis são provas de vida. No mais amplo sentido. Eu adorava aqueles papeizinhos que sobravam, quando se arrancava uma folha do caderno espiral... Pedaços iguais a um quebra-cabeça. Mas que não se juntavam jamais.
E eram muitos os papéis dos alimentos, antes de serem engolidos pelas embalagens flip. Bem mais herméticas, convenhamos.
E para o peixe, dentro  do plástico com gelo? Só mesmo o papel jornal!
Tinha papel em todo lugar. O papelzinho que lacrava a caixinha de fósforo. O papel da carta, com cheirinho de talco..
E como não lembrar... o papel dos confetes, que se escondiam nas frestas dos tacos de madeira e no sofá. E ressurgiam de repente, depois de  anos, décadas, talvez, milênios...


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