quarta-feira, 18 de abril de 2018

PEDRAS DE XADREZ?

 
 
Amanheceu assim. Em cima do molhe de pedras da pequena prainha, perto do Itararé. Eram pedras médias e pequenas, empilhadas. Pareciam estátuas. De longe, lembravam figuras humanas. Damas, bispos, ou bruxas de chapéu. De perto, apenas pedra sobre pedra. Sem muito estudo ou presunção. Arte? Diversão? Quem fez aquilo? Ninguém no pedaço viu...
Talvez tenham sido crianças brincando, cansadas de erguer castelinhos com pingos de areia mole escorrendo das mãos. Talvez, Deuses astronautas, tentando comunicação. Cada amontoado seria um símbolo. Uma linguagem cifrada!  Tentando entender o que se passa no Brasil. A gente não entende mais nada... Só sei que na vizinhança, ninguém conseguiu explicar as pedras amontoadas que apareceram em frente ao mar.
No dia seguinte, veio a chuva. E a forte ressaca fez o cenário desmoronar. As pedras voltaram. Rasteiras. Cada uma para um lugar. Espalhadas no molhe. Espraiadas no chão. Livres de qualquer intenção.
Mas nesta semana, a cena se repetiu. Agora com mais pedras empilhadas. Grandes, pequenas. Dezenas. Numa espécie de exposição arquitetada. Além do equilíbrio exato, um claro estilo, nos livres formatos. Não deve ter sido fácil, erguer tudo sem cansaço. Um profissional? Bem pago?
Minha curiosidade falou mais alto. Entrei no quiosque vizinho e perguntei ao rapaz que atendia gentilmente no bar. Você sabe quem fez isso ? Sei sim. Foi o Pixote. Catador de latinhas. Morador de rua. Ele se diverte assim. Daqui a pouco está por aqui...  
Não deu pra esperar. Mas ele vive aqui por perto. Talvez o encontre outro dia, tire uma foto com ele e diga, com a certeza que existe dentro de mim: é pura arte, sim!
Não pelo amontoado das pedras. Mas, por viver, reinventando assim!

 


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terça-feira, 10 de abril de 2018

A BUZINA DA BARATINHA

 
 
Ele tinha várias manias. Frequentar o podólogo, sem muita necessidade. Comer macarrão com pão. Tomar rabo de galo, aos domingos, depois dos jogos de várzea no Maria Zélia. Além de ser dono de um par de olhos incrivelmente azuis...
Esse era meu pai, o velho Silvio, que adorava brincar. Viveu a vida brincando. Sabia fazer, com dobras no lenço, um ratinho de pano que, acionado pelo seu rápido polegar, pulava em cima das pessoas. Em geral das crianças, que corriam de susto e pediam para repetir! Era craque em um jogo da memória chamado  o “ frasco do vinho bom” , onde cada participante tinha que repetir as frases criadas pelo grupo e acrescentar mais uma. Meu pai ganhava sempre. E com seus lindos olhinhos azuis, piscava só para mim...  
O “seo” Silvio era alegre. Divertido. E imitava buzinas de carro como ninguém. De todo o resto, sucesso profissional, investimentos, casamento, patrimônio adquirido ao longo da vida, é melhor não falar... Nada deu muito certo! Mas para os filhos, ainda pequenos, importava mais é que ele sabia imitar a buzina do Fordinho vinte e nove!
Apesar de que, eu e meus irmãos, nunca tivéssemos andado na sua “Baratinha”, que ficou bastante conhecida no bairro do Belenzinho, em uma época que haviam poucos carros nas ruas...
Nos anos setenta, já tinhamos um Gordini. E todos os sábados, meu pai levava a família jantar no alto da Móoca. O preferido era o Varella, restaurante que anos mais tarde, foi palco de um atentado político. Na volta, meu pai lançava o grande desafio. Descer do alto da Avenida Paes de Barros com o motor desligado. Na banguela. Até quanto aguentasse...  
Eu, pequena, no colo de minha mãe, ficava torcendo pra que os faróis abrissem e o carro não tivesse que parar. Era excitante. E quando algum carro ficava na nossa frente, meu pai pedia que eu colocasse a mão na direção e começava a imitar a velha buzina... arrrua! arrua!  
Eu adorava aquele som. E eu queria chegar mais longe. Certa vez, meu pai desviou com destreza de todos os carros à frente e mesmo quase parando, conseguimos chegar até o último farol da Paes de Barros, já quase no viaduto. Conseguimos!
E eu tinha ao lado um herói. E de olhos azuis!
 
 
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RESENHA DO MÊS : APNEIA

A piscina de um condomínio... A tragédia inesperada. Relações, envolvimentos, culpas...     
              O QUE SE ESCONDE... LÁ NO FUNDO?
 Foi mais que a escolha de um livro. Foi um desafio. Para mim, que tenho surtos claustrofóbicos e medo de conviver, repentinamente, com a falta de ar.  Mesmo assim, a leitura de “Apneia” se deu sem maiores ocorrências ou balões de oxigênio. A cada página, um respiro profundo e muito autocontrole. Como se quisesse mostrar para o meu medo, quem manda em quem. E saiu assim, arejada aos trancos, mais esta resenha... 
O livro de Marcelo Conde já começa com o fato que poderia ser o desfecho final. O afogamento de um garoto na presença de crianças vizinhas...
Thiago sobe boiando 2,13 minutos depois de prender o fôlego, agarrado à base da escada, no fundo da piscina do condomínio”....
Mas o que poderia parecer precoce, se tornou instigante pela conseqüência do fato e das múltiplas elucubrações. O livro passa a colocar em xeque a convivência de famílias que moram num mesmo condomínio, diante de uma tragédia inesperada.
Com apenas quatro casas. Uma de cada lado, viradas para dentro do terreno e uma piscina no centro, as crianças se reuniam todas as tardes. Na casa 1 tinha os gêmeos Vitor e Vicente, na casa 2, Juliana, Mariana e André, na casa 4 Paulinho e Antonia, e o menino Thiago na casa 3.
“Ali faziam tudo que crianças normais fazem. E morrer não parecia normal...”
Os pais de Thiago, Fernando e Sofia, donos de uma convivência feliz, com uma rotina feliz, tinham conseguido, enfim, mudar-se para uma casa com piscina num condomínio seguro, acreditando que assim, o filho poderia se divertir sem maiores riscos, ao lado das crianças vizinhas.
“Um lugar construído para ser feliz, daqueles que se espera a vida inteira pra viver...”
A trama gira em torno do pai de Thiago, o mais abalado pelo incidente com o filho, talvez, por ter sido o mentor de uma fatídica competição. Ele culpa a esposa, que coloca o sucesso profissional acima de tudo. E acredita, que se ela se dedicasse exclusivamente ao filho, a tragédia teria sido evitada.
“Fernando fazia intermináveis churrascos, onde os vizinhos se divertiam e  onde os amigos eram amigos vivendo a vida natural das coisas.”
Mas estas relações aparentemente cordiais e sadias começam a ruir diante da morte do garoto. Além de pequeno corpo inerte, emergem relações egoístas, culpas, falsidades , envolvimentos extraconjugais e traições entre os casais...
O interessante do livro é o conntraste das personalidades de cada personagem da história... Essa quantidade de personagens envolvidos com o protagonista dá uma dinâmica boa ao livro. Cada um representa um ponto-de-vista diferente, diante da tragédia. E o que acontece por fim, com o condomínio e os casais, é a grande expectativa da trama.
Apneia é um livro de Marcelo Conde, diretor de Criação da WMcCan. Tem linguagem direta. Contemporânea. Oferece uma ótima oportunidade de reflexão.
Apneia nos coloca de frente com o ser humano e tudo o que ele é capaz de fazer, esconder, falar, culpar. No fundo, todos os personagens da história aparecem como grandes egositas diante da tragédia, talvez , como a maioria de nós...
 
Título:  APNEIA
 Autor:  Marcelo Conde
Data de publicação: / dezembro 2015
Páginas: 119
Coleção Viagens na ficção
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

quarta-feira, 4 de abril de 2018

O LADO ESCURO DO TÚNEL

                            
                        Foto:  A Tribuna
Larguei meu carro na garagem. E tem sido assim, semanalmente, desde que virei fã do Veiculo Leve sobre Trilhos, o VLT, recém chegado ao litoral paulista, ligando as cidades de Santos e São Vicente.
Rápido. Moderno. Ar condicionado no ponto. E aquele aspecto, ainda, de novo. Nele se vê a cidade com todas as suas multifaces e contrastes vis. A periferia. A singeleza das casinhas modestas. O piche. A sujeira. O caos...
Um vão por onde se vê a praia. O mar. A areia. A beleza do entardecer. E no fim do túnel, a cena que ninguém quer ver...
A primeira vez que passei pelo túnel percebi que todos os olhares se voltavam para as janelas daquela estação. E o que se via, eram seres vagando. Em bandos. Homens. Mulheres. Adolescentes... Aparentemente dormentes. Amontoados na pequena calçada lateral.
Alguns fumavam. Outros dormiam. Outros somente caminhavam. Seguiam rente aos trilhos. Sem noção. Nem direção. O VLT passa bem veloz. E em poucos segundos, cada um no seu mundo, a trabalho ou a passeio, sai do túnel do pesadelo e segue até a sua estação.
Vejo semanalmente os pobres moribundos. Craqueiros. Prisioneiros do estranho mundo. Escuro, viciado, profundo... E eu até já reconheço alguns deles. A moça de cabelo loiro emaranhado e olhos azuis. O rapaz de blusa listrada. O velho de calça rasgada. E o da blusa escrito Rollingstones!
Eles se afundam todos os dias no túnel. E não sentem o trem passar. O VLT passa ligeiro... A vida também. A esperança é quem nos reconduz.
Enquanto os seres do túnel seguem em direção contrária. 
Cada vez mais distantes da luz...


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quarta-feira, 28 de março de 2018

ENQUANTO ELA PASSA...

Era visível o despreparo em passar mangas e colarinhos amarrotados. Mas depois das três primeiras peças, a coisa foi ganhando técnica e ficando mais rápida. Como tudo.  
Primeiro as costas, depois as mangas. Vira de lado. Agora a frente, os punhos, as mangas... Por fim, o colarinho! E a tarde foi passando, assim como as roupas, tiradas progressivamente do cesto ao lado. Em cada peça passada, um pensamento novo e livre passando na cabeça caledoscópica de uma mulher, entregue a uma tarefa qualquer.
De início, um lenço vermelho. Vieram imagens de sangue. Crianças americanas assustadas, nas mãos de mais um franco atirador. Cenas de horror. E o Maluco do Trump que quer armar professor?  Deixa pra lá! Parece até que aqui não temos problemas...
No rádio do vizinho, a voz do Datena. O ministro explica a vacina da febre amarela. A próxima camisa é amarela... Passo com cautela. As costas, as mangas e parto para a cinza... Cinza bem escuro. Que filme chato cinquenta tons de cinza! Livro enjoativo. O filme, um nada. E a moça, coitada! Um rico com manias de sadismo. Imagino minha tia assistindo... Ela que me levou ver Império dos sentidos! Todo adolescente queria ver. Chato também! 
Mais uma peça passada. Agora vem uma saia. É plissada. O que devo fazer ? Abro cada preguinha? Ou passo por cima? Por cima é mais fácil. Agora uma peça azul. Azul ou Tam? Piada sem graça... Tenho tanto medo de avião. Mas, se precisar ir a Portugal? Se ganhar a viagem num prêmio ou festival? Devo tratar essa fobia. Terapia, que tal?
Vou ligar pra amiga Célia. Ela deve saber. Aliás, ela está on line. Mas se eu ligar, não acabo de passar. Vem a calça do marido, aquela marrom. Com caldo de macarrão! Antes isso, que batom... Descuidado! Vai ouvir um bocado.
Por fim vem a blusa de seda, esvoaçante e com suaves tons de rosa...  Lembro das rosas que ele me deu. Do sorriso lindo e do olhar profundo que é só meu.
Passei o resto das roupas delicadamente ao som de Debussie. Que não tocou em lugar nenhum. Mas eu ouvi! 
Ah... cabeça de mulher...
 
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quarta-feira, 21 de março de 2018

DEVORANDO O PASSADO...

                        
Fotos antigas mexem comigo. Em especial, as do século passado.
Muito mais do que os carros e as construções centenárias, o que mais me fascina é olhar as pessoas perpetuadas nas imagens. Ficarão por lá. Eternamente nas fotos! Congeladas em papeis fotográficos. Enquanto eles resistirem ao tempo...
Muitas das pessoas flagradas, certamente já se foram. São fantasmas nas fotos. Sobrevivem apenas ali, na imagem capturada. O curioso é que a maioria delas, registradas ao léu, usava chapéu!
Homens e mulheres de chapéu. Até as crianças usavam chapéu. Meninas com casaquinhos de tricô, vestidos de renda e chapéu. Meninos de terno, lenço e chapéu! Pequeninos homens, tamanha seriedade de seus rostos. Nem pareciam garotos. Tinham a elegância dos antigos moços...
E nas fotos de praia, a rigidez de sempre. Nada que saltasse muito à vista. Retratos de uma sociedade pra lá de machista. Mulheres comportadas e inteiramente vestidas. Em países vizinhos, havia uma espécie de fiscal que media a altura entre os joelhos e o traje de banho( foto). Passando de quinze centímetros, multada pelo assanho! Já os homens podiam mais. Alegres e animados, com seus maiôs pretos ou listrados. Todos, igualmente, congelados!
E como devia ser difícil tirar foto naquele tempo... Tinha que ter um bom equipamento. Máquina profissional. E cara! Kodak era coisa rara. O fotógrafo tirava as chapas. Os negativos iam pro laboratório. E depois de minutos no quarto escuro, mergulhados numa bacia com um produto químico e luz vermelha, os fantasmas iam aparecendo no papel, lentamente...
Mal sabiam que ficariam presos ali, eternamente!  Ou até que as traças da gaveta os encontrassem. As traças adoram as fotos antigas...
E se fartam, comendo um a um, os fantasmas e seus chapéus!

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No link abaixo, a interessante matéria que mostra um fiscal, na praia, medindo a altura das roupas das mulheres, no século passado.

 
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quarta-feira, 14 de março de 2018

ENTRE DOIS PONTOS

Eu estava sem carro aquele dia. Resolvi ir de ônibus. Logo no ponto seguinte, ela entrou. Cara gorda. Rosto redondo. Com vestido largo e florido. Cambaleante. E carregando quatro sacolas cheias e semi-transparentes. Duas em cada mão.
Com muito esforço e ajuda, passou pela catraca para sentar bem ao meu lado, me espremendo com tudo junto à janelinha. O meu sorriso amável foi o ponto de partida...
 “Agora eu pego também essas fraldas de graça lá no postinho. A moça já me conhece... Também! Alguém tem que ajudá. Já falei até com o bispo. Não posso pagá mesmo. O véio lá em casa ( imaginei, de cara, que fosse o marido...) tá morrendo na cama há uns três anos. Até xixi e cocô faz na fralda. Toma  dez remédio por dia. Deve dá uns quinhentos conto. Eu posso? Posso não. E sabe de uma coisa? Não resolve nada. Você nem imagina o que tá dando jeito nele. Depois eu conto, ( e continuou sem pausa) porque o menino não ajuda mais em casa. Foi morá com a coroa dele. Na casa dela ( imaginei que fosse o filho). E pra piorá, fez um criança que tem problema...”  
Que problema ? ( interferi pela primeira vez, depois daquela avalanche de fatos).
“Não sei não, minha filha. O menino não anda, não come, não fala. É uma doença de nascença aí. Pego leite de graça pra ele ( mostrando um dos pacotes). Mas o meu filho não liga muito não. A mulher cuida do filho sozinha e quando faz uns bico pra ganhar dinheiro, na segunda e na sexta, ainda me deixa o menino pra cuidá. Aí eu é que seguro tudo mesmo. Cuido do véio e do novo! Haja fralda pra tanto mijo...( rindo alto no ônibus lotado).  Eu acho é que o meu filho tá de enrosco é com outra. A mulher diz que ele se perfuma todo nos fim de semana e sai de carro pra trabalhá.  Ele é instalador de som de carro. Vai instalá o que de noite? E o pior, é que ele sai com o chefe dele. Ou é gay ou tão atrás de mulher. Eu nem tô ligando se for, viu. Só não quero que engane a coitada. Mas vou te contá... a mulher dele também não é santa não. Já namorou Deus e todo mundo. Até gente famosa! Sei lá de quem é esse filho...”
E antes que eu pudesse sugerir um exame de DNA ou dar um pitaco qualquer sobre toda aquele vida derramada em cinco minutos, ela olhou para o ponto na rua... “É o meu! Fui!” E saltou ligeira, arrastando todas as sacolas enormes com fraldas, remédios e latas de leite e saiu esbarrando em tudo e em todos...
Agora, eu não sei que doença tem o marido dela. Nem o que está curando o “véio!” Não sei porque o neto bebê não fala, nem anda. Nem sei se o filho dela é gay ou mulherengo. Muito menos quem é o famoso que saiu com sua nora...
Como é duro andar de ônibus!
 
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