quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

PÉ DE FEIJÃO?

 
Gosto de abraçar árvores. Plantas, em geral. Circundá-las com os braços, delicadamente. Sentir seu contato. Nada muito científico. Nem esotérico. Apenas troca de energia. Um toque mais íntimo com a natureza. E acho que as plantas gostam disso...
As árvores  do meu jardim têm crescido exageradamente desde que comprei um terreno que havia sido aterrado, inadvertidamente, com entulho e pouca terra boa, num pedacinho habitável da mata atlântica.
E foi no meio do jardim, que plantei uma palmeira muito especial. Palmeira real! Pelo menos, foi o nome que o vendedor disse quando trouxemos e plantamos a arvorezinha com pouco mais de um metro de altura. Magrinha. Três folhas pequeninas. E um  tronco menor que a cintura de uma bailarina.
Cinco anos se passaram. Hoje, é digna de exposição. Pura ostentação! Lembra até a lenda do Joãozinho e o pé de feijão. Gigante em transformação. Tronco largo e retumbante. Talvez, cheio d’água. Ecoa, quando bato a palma da mão...
A minha palmeirinha não para de crescer. Está inatingível. Passar os braços para rodeá-la? Nem pensar. Dou um tapinha, no máximo, e olho o céu para poder avistar o topo. Vejo folhas imensas. Vez em quando, com um vento mais forte, cai uma folha, perigosamente, dando susto na gente.
Tenho saudade de quando era pequena e eu podia, simplesmente, abraçar. Agora é ser inalcançável. Mas não penso em subir por ela, como no sonho, em busca do pote de ouro. O pote está no meu jardim. Nas primaveras. Nas helicônias. No flamboyant que acolhe os colibris. Nas bromélias e nas carnudas.
Ah, o meu coqueiro anão também cresceu... Ficou forte e alto. Dezenas de cocos em cada ramada. De anão, não tem mais nada. Que coisa engraçada... Não sei não. Acho que no meu terreno jogaram fermento do bom.
Ou então, mora lá, um Deus brincalhão!  
 
 
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

BANDEIRA BRANCA, AMOR...

 
 
 
 
Não sou saudosista. Sou deste tempo. De agora. Gosto dos timbres atuais. De Maroon Five, Daft Punk, Bruno Mars... Também me viro bem com as mídias sociais. Face, Insta, Linkedin.

Fiquei moderna. Sei multitelar e baixar aplicativos. Não com a destreza de uma criança de seis anos. Evidente que não... Também não consigo digitar com os dois polegares. Sou da geração do indicador. Mas está bom! Aprecio os avanços atuais. Mensagens rápidas de cá pra lá. Fotos em celular! Quer coisa mais legal? Benesses do mundo atual! 

Só tem uma coisa. Quando o assunto é música de carnaval, retiro a modernidade. Abaixo à contemporaneidade! Sou fã das marchinhas. Das letras bobinhas. Fáceis melodias. Nunca! Jamais... haverá nada igual!

As marchinhas são insubstituíveis. E vivem, agora, além do seu tempo, na eternidade.

Carregavam a pureza e um contra senso. Misturar carnaval com sentimento. E dava liga! A linda Morena e outras ingênuas e inesquecíveis canções de Lamartine. A mulata iê iê iê de João Roberto Kelly. As divertidas marchinhas do casal Manoel Ferreira e Ruth Amaral. Mais de duzentos sucessos de carnaval! E Dalva e Herivelto... Como não entregar o coração, ao som do refrão “ bandeira branca, eu peço paz”? Amor de antigos carnavais!

Só sei que eram mais de mil palhaços no salão. Em cima das mesas. Nos camarotes. Com latinhas no isopor. Serpentinas nas mãos! E tudo virava fantasia. Sarongue. Tule. Ou um lenço vermelho da tia. Até lança perfume podia... E a menina, doce de coco, quanta  delicadeza! 

Por isso, quando escuto as velhas marchinhas, sinto um sabor de inocência. Tempo da lua tonta. E da estrela Dalva, que no céu desponta. Tempo que a gente pedia um dinheiro e um gelinho aí. E ria da cabeleira do Zezé. Sem maior conseqüência ou intenção. Hoje não dá mais, não!

Então, não me leve a mal... que saudade do velho carnaval! Das antigas marchinhas. E das matinês que frequentei... Por isso, ao encontrar na fantasia que usei, confete, confesso que chorei!

 
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Ruth OLiveira, Silvio Santos e Manoel Ferreira
 



 
 Carnaval do Tênis Clube de São Paulo
 
Carnaval do Juventius da Mooca
 
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ESTAÇÃO SOLIDÃO

 
Nada encerra mais a angústia e a tristeza humanas do que o rosto dos solitários no trem da estação. Eles carregam seus tristes semblantes aonde quer que vão...
Nos metrôs. Nos ônibus. Em cada vagão. É doído perceber...
Sentadas nos cantos, mulheres desconsoladas. Carregam bolsas e mágoas. Dos filhos, do genro, cunhadas... Em pé, um homem desempregado. São tantos hoje em dia. Angustiados. Ar de melancolia!
E cada tristonho no seu canto. Desiludido. Com o olhar distante. Ou, quem sabe, num mundo perdido. Muitos olham pro chão. Estação solidão!
Sempre achei tristes, e ao mesmo tempo, tão belos, esses rostos sofridos, das pessoas no metrô. Retrato das amarguras, nas suas rugas de expressão.  
Quando entrei no vagão, às seis da tarde, o velhinho curvado já estava sentado olhando fixamente para o nada. O que ele pensava?  O que dizia? Ainda sonhava? Conversava consigo mesmo, tentando se convencer. Reclamava de quem?
Talvez faltasse um ouvido ao lado. Um amigo. Um abrigo. Um som... Ou uma boa dose de conhaque bom!  
O trem partiu para a próxima estação... Um dormiu, outro fingiu. A cabeça caiu. Entortou. E o velhinho prosseguiu resmungando sei lá de quê.
Torci muito pra que alguma criança entrasse gritando. Chorando. Esperrneando. Ou cantando alguma coisa idiota qualquer. Mas não. O silêncio era o anfitrião. Cada um que entrava, se calava. 
E o velhinho continuou sozinho no seu cantinho até a última estação. Depois, saiu carregando seu pacote pesado de dissabores, nas costas e no coração.
Triste espelho humano, no vagão!


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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

BOLINHOS COM CANELA

 
A felicidade chega, às vezes, numa tarde modorrenta. Sem muitos planos. Sem pretensões. Chega fugaz, em meio à fumaça de um café recém passado. Fresco e perfumado. No meio de uma conversa com alguém que nos faz bem. Ou nas frases livres e perfeitas das letras das velhas canções.
Pronto. A felicidade, à nossa porta, bate!
E é preciso habilidade para conservá-la por alguns minutos ou simples instantes, antes que assuntos menos importantes tomem conta do nosso pensamento, distraindo nosso coração. Pois basta um segundo e saímos da vibração. Ligamos o rádio. O celular. A televisão. E largamos em algum canto a nossa paz...  
Síndrome dos dias atuais. Nada satisfaz. Estamos prontos a querer mais. Sempre mais. E quando não, ganhamos ansiedade, pânico, depressão!
Não basta ser rico. É preciso passar o reveillon em Noronha. All inclusive! Não basta ter o mar, de graça, para revigorar. É preciso uma piscina olímpica no terraço! E trampolim para saltar. Se possível, do último andar. Não basta um copo de vinho e o peito de um companheiro fiel para descansar. É preciso que ele tenha sucesso e dinheiro. E sexo tântrico, sete dias por semana. O ano inteiro!  
O muito já não é o bastante. Queremos o mega. O top. O ultra super deslumbrante! 
E a felicidade? De binóculos, distante...
Até que chega a Tia Lurdes, no meio da tarde singela. Com bolinhos de chuva na tigela. Feitos por ela. Salteados de açúcar e canela!
E percebemos como é simples rimar! Felicidade, simplicidade!



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quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

"ESCANGAIA"

 

Foi um caipira. Desses que falam devagarzinho. Que parecem  não entender nadinha de nada. Mas ao fim da estrada, estão sempre na frente da gente...
Foi ele que me ensinou o ritmo certo de ordenhar a vaquinha. Com um balde velho e uma conversa ribeirinha. Ensinou a pegar com laço o novilho. A cortar, sem me machucar, a espiga de milho. Aliás, o caipira era bom de faca! A “cumade” que desse de gaiata!
Era magro. Forte e liso como saruê. Sabia se embrenhar no mato. Tratava com Neguvon, bicho com carrapato! Sabia o tempo da poda de todas as árvores. Não gostava de pombo. Fazia fumaça pra espantar marimbondo. Dava nome pras galinhas...
E pra todas as dores, tinha uma plantinha!
O caipira foi me mostrar o cavalo branco que tinha acabado de comprar. Deve ter sido bonito e ligeiro. Corredor. Agora parecia cansado. Um pouco magro. Pagou barato, mas dava pra andar...
Perguntei se era velho. Meia vida, ele disse! Tem o olhar triste. E essas feridas?  É assim mesmo, patrão. O tempo “escangaia”!
E foi assim que guardei em mim a viagem e o encontro com o caipira no sítio onde pousei muitos anos atrás! Acho que ele nem lembra mais.
Mas toda vez que eu olho no espelho. Vejo algumas rugas emoldurando o olhar. Toda vez que ando mais devagar. E que as feridas doem no coração mais que a artrose nos joelhos. Eu lembro do caipira. O tempo “escangaia”!
Mas ainda dá pra andar...   

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

É TORTO ASSIM?

 
Tenho quase certeza. Deve ter sido o anjo torto! Aquele que saiu entortando a vida de Drummond em Itabira. Ele deve ter passado aqui pelas bandas de Santos, lá pelos anos sessenta, e entortado os prédios da orla, em particular no bairro do Embaré.
Pelo menos uns sete ou oito edifícios são visivelmente inclinados. Alguns para a direita. Outros para a esquerda, Alguns parecem que irão se tocar em breve. O mais curioso é que vejo estes prédios tortos há mais de trinta anos e não percebo mais essa tamanha inclinação.
Acho que o dia a dia torna mais débil a nossa percepção. Ou é nosso olhar que anda meio torto e perdido nas telas dos celulares. Somente na semana passada , quando um amigo avisou que desceria a serra com um grupo de engenheiros e arquitetos trazendo alguns alunos para visitar os prédios tortos de Santos e fazer medições e análise do terreno, é que a ficha caiu.
Comecei a enxergar os prédios tortos novamente, destacando-os dos demais. E são bem tortos. A proximidade é que nos faz perder o grau. Por isso, talvez, não reparamos que a filha mais nova engordou demais, até que o médico a considere “adolescente obesa”.
Achamos o marido apenas calvo, até que um amigo distante pergunte carinhosamente: como vai o “carequinha”?  A intimidade nos cega? Ou será que, numa forma mais agradável de pensar, com o tempo, vemos menos com os olhos e mais com o coração?
Por isso não acho que são tão tortos os prédios de Santos. Fazem parte do belo, harmônico e desalinhado cenário. Coisa de anjo torto.
Aposto que o senhorzinho italiano, curvadinho, que há mais de 30 anos é guia turístico na Torre de Pisa, não acha ela torta.
Apenas uma leve “inclinazione turistica, caspita”!



 Foto:Viver em Santos
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PREFIRO AS CURVAS...

 
As linhas retas são diretas. Sem vai e vem. Mas são as curvas que me encantam. As curvas me fazem bem.
As retas são objetivas. Chegam direto ao ponto. Mas as curvas trazem emoção em cada volteio. Leveza. Balé. Desenho!
É por isso que meus olhos preferem as curvas. As curvas dos edifícios antigos, por exemplo. Aqueles prédios arredondados. De rampas longas e azulejos vazados. Anos cinquenta. Sessenta, talvez.  Meu olhar se curva, diante daquelas curvas. Maleável doçura. Bela arquitetura!  
Mas tem outras curvas tão lindas e incertas por aí... A curva do rio, que nos tira a certeza de onde ir. Mistério da vida. O eterno fluir...
A curva da estrada que pode dar em glória. Ou cilada. Vem um precipício? Ou um ponto de chegada?  As curvas não definem nada. As curvas tentam. Desorientam. Atiçam. Mas fazem sorrir...
E as curvas dos corpos? Sensualmente belas. A silhueta roliça das pernas. Dos seios. E dos entre meios. Curvas de prazer e tentação. E a mais profunda delas, feita de paixão: a curva da aorta. Porta do coração!
São lindas as curvas das ruas. Das praças. Da rotundas. Levaria horas descrevendo... Curvas por todos os lados. A curva do laranjinha e a do S de Interlagos. A curva da retina e da lente de contato. A curva do arco da Torre Eiffel. E das fases da lua no céu. A curva da banana. Da serpente caninana. Da montanha. E da Terra, repleta de contornos e encantos.
Mas no momento, me contento em descer a Serra, nas curvas da estrada de Santos...         
 
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