quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

"ESCANGAIA"

 

Foi um caipira. Desses que falam devagarzinho. Que parecem  não entender nadinha de nada. Mas ao fim da estrada, estão sempre na frente da gente...
Foi ele que me ensinou o ritmo certo de ordenhar a vaquinha. Com um balde velho e uma conversa ribeirinha. Ensinou a pegar com laço o novilho. A cortar, sem me machucar, a espiga de milho. Aliás, o caipira era bom de faca! A “cumade” que desse de gaiata!
Era magro. Forte e liso como saruê. Sabia se embrenhar no mato. Tratava com Neguvon, bicho com carrapato! Sabia o tempo da poda de todas as árvores. Não gostava de pombo. Fazia fumaça pra espantar marimbondo. Dava nome pras galinhas...
E pra todas as dores, tinha uma plantinha!
O caipira foi me mostrar o cavalo branco que tinha acabado de comprar. Deve ter sido bonito e ligeiro. Corredor. Agora parecia cansado. Um pouco magro. Pagou barato, mas dava pra andar...
Perguntei se era velho. Meia vida, ele disse! Tem o olhar triste. E essas feridas?  É assim mesmo, patrão. O tempo “escangaia”!
E foi assim que guardei em mim a viagem e o encontro com o caipira no sítio onde pousei muitos anos atrás! Acho que ele nem lembra mais.
Mas toda vez que eu olho no espelho. Vejo algumas rugas emoldurando o olhar. Toda vez que ando mais devagar. E que as feridas doem no coração mais que a artrose nos joelhos. Eu lembro do caipira. O tempo “escangaia”!
Mas ainda dá pra andar...   

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

É TORTO ASSIM?

 
Tenho quase certeza. Deve ter sido o anjo torto! Aquele que saiu entortando a vida de Drummond em Itabira. Ele deve ter passado aqui pelas bandas de Santos, lá pelos anos sessenta, e entortado os prédios da orla, em particular no bairro do Embaré.
Pelo menos uns sete ou oito edifícios são visivelmente inclinados. Alguns para a direita. Outros para a esquerda, Alguns parecem que irão se tocar em breve. O mais curioso é que vejo estes prédios tortos há mais de trinta anos e não percebo mais essa tamanha inclinação.
Acho que o dia a dia torna mais débil a nossa percepção. Ou é nosso olhar que anda meio torto e perdido nas telas dos celulares. Somente na semana passada , quando um amigo avisou que desceria a serra com um grupo de engenheiros e arquitetos trazendo alguns alunos para visitar os prédios tortos de Santos e fazer medições e análise do terreno, é que a ficha caiu.
Comecei a enxergar os prédios tortos novamente, destacando-os dos demais. E são bem tortos. A proximidade é que nos faz perder o grau. Por isso, talvez, não reparamos que a filha mais nova engordou demais, até que o médico a considere “adolescente obesa”.
Achamos o marido apenas calvo, até que um amigo distante pergunte carinhosamente: como vai o “carequinha”?  A intimidade nos cega? Ou será que, numa forma mais agradável de pensar, com o tempo, vemos menos com os olhos e mais com o coração?
Por isso não acho que são tão tortos os prédios de Santos. Fazem parte do belo, harmônico e desalinhado cenário. Coisa de anjo torto.
Aposto que o senhorzinho italiano, curvadinho, que há mais de 30 anos é guia turístico na Torre de Pisa, não acha ela torta.
Apenas uma leve “inclinazione turistica, caspita”!

 
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

PREFIRO AS CURVAS...

 
As linhas retas são diretas. Sem vai e vem. Mas são as curvas que me encantam. As curvas me fazem bem.
As retas são objetivas. Chegam direto ao ponto. Mas as curvas trazem emoção em cada volteio. Leveza. Balé. Desenho!
É por isso que meus olhos preferem as curvas. As curvas dos edifícios antigos, por exemplo. Aqueles prédios arredondados. De rampas longas e azulejos vazados. Anos cinquenta. Sessenta, talvez.  Meu olhar se curva, diante daquelas curvas. Maleável doçura. Bela arquitetura!  
Mas tem outras curvas tão lindas e incertas por aí... A curva do rio, que nos tira a certeza de onde ir. Mistério da vida. O eterno fluir...
A curva da estrada que pode dar em glória. Ou cilada. Vem um precipício? Ou um ponto de chegada?  As curvas não definem nada. As curvas tentam. Desorientam. Atiçam. Mas fazem sorrir...
E as curvas dos corpos? Sensualmente belas. A silhueta roliça das pernas. Dos seios. E dos entre meios. Curvas de prazer e tentação. E a mais profunda delas, feita de paixão: a curva da aorta. Porta do coração!
São lindas as curvas das ruas. Das praças. Da rotundas. Levaria horas descrevendo... Curvas por todos os lados. A curva do laranjinha e a do S de Interlagos. A curva da retina e da lente de contato. A curva do arco da Torre Eiffel. E das fases da lua no céu. A curva da banana. Da serpente caninana. Da montanha. E da Terra, repleta de contornos e encantos.
Mas no momento, me contento em descer a Serra, nas curvas da estrada de Santos...         
 
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

ESPERAR O QUE?

 
O projeto estava pronto. Perfeito!
A idéia era sucesso. E a certeza, de que tinha muito talento. Faltava, apenas, reconhecimento! Começou o ano com o pé direito. Comeu oito uvas. Pulou sete ondas. Na verdade, foram oito. Uma era muito pequena e ele não considerou. Até lentilha, com certo prazer, ele comeu. E o pai de Santo, certeiro, afirmou que a sorte bateu no seu terreiro. Grana o ano inteiro!
Tudo certo, então. O ano novo chegou! O Brasil tá melhorando. Até a seleção melhorou! Agora é partir pro abraço. Sem cansaço. E também sem medo. Dois mil e dezoito é do Zé Alfredo! É nosso! É do Brasiiilll.....
O Zé bem que podia ter terminado o curso de especialização dois anos atrás. Foi isso que impediu que ele conseguisse um trabalho legal. Mas faltou tanto, que acabou trancando. Foi mal!
Podia ter ido em frente com sua brilhante idéia comunitária, ensinando sua arte pra garotada carente. Ia ser bom pra tanta gente... Podia ter construido o seu atelier e fazer o que mais gosta, nas horas de lazer. Quem sabe, uma exposição no meio do ano. Vai saber?
Mas a preguiça bateu sempre depois do jantar. Aliás, que jantar é esse do Zé Alfredo? Ele já está com 105 quilos, mas continua no quilão. Pão, arroz, ovo e feijão. Bem à noite, antes de deitar. E com diabetes familiar!
As contas? Bem, o Alfredo sempre deixa atrasar. O Banco vai festejar.  Mas em dois mil e dezoito, tudo isso acaba! O projeto é um sucesso. Vai dar certo. Tem tudo pra arrebentar.
O Zé Alfredo vai se candidatar!
 
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

AQUELE DRINK AZUL...

 
Tá certo que a família estava unida e feliz. E que as crianças eram pequenas e se contentavam em brincar de artista. Com maquiagens, microfones imaginários e imitações dos ídolos da tevê. Mas era tão bom!
Tá certo que ninguém ficava pendurado no celular, mandando vídeos e trocando mensagens com amigos de fora... Os mais importantes estavam ali! Mas aquele drink azul, unia toda a família...
E todo ano era assim. Natal na casa do irmão mais velho. Às vezes, no mais novo. Às vezes, na casa da mãe. O drink azul abria as comemorações! Lembro vagamente a receita... um pouco de soda, gin e Curaçao blue!  Na borda, ia açucar. Ah... e a limão cortadinho, que não podia faltar! 
Tá certo que depois vinham camarões na moranga, da dedicada cunhada. O bacalhau português, da sogra orgulhosa. A maionese, tão leve, da mãe, feita com amor e liquidificador! E a noite inteira para sorrir e trocar presentes. Presentinhos. A gente não tinha lá muito dinheiro...
Ninguém reclamava nas redes. Não haviam redes. E os políticos? Deviam aprontar, como sempre... Mas não era esse o assunto. Era sempre aquele drink azul.... Mortal! E hoje, imortal. Abria o apetite e o coração! E tinha algo marinho nele. Cor de oceano profundo. Águas calmas onde a família mergulhava feliz. 
Faz um tempão tudo isso...  Já não temos mais esses grandes natais na família. As crianças cresceram e passam a festa com outras famílias. Alguns casais se dissolveram...O irmão mais velho já se foi... A mãe, não consegue mais andar, muito menos fazer maionese...  
E quando a saudade aperta, eu lembro daquele drink azul... Deve ser culpa dele, essa minha vontade de chorar...   


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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O ASSOVIO MORA AO LADO...


Um assovio alegre. Muito alegre. Repetido várias vezes. Por uns dias. Por uns meses...
Durante uma reforma infindável no meu apartamento, tive que morar, por um tempo, numa casa emprestada. E com um vizinho de muro colado. Jardim com jardim. Quintal com quintal. E a mesma caixa postal!
Tudo era aceitável, naquele improviso temporário. Até que, no silêncio da manhã, uma alegre marchinha de exército americano alguém começou a assoviar ... lála, lalalala lala, lála!  Um rapaz? Um soldado?  Um velho desocupado, ensinando um papagaio? Dormi mais um pouco, embalada pelo assovio intermitente...  
E veio a noite. E o assovio, novamente. Lála, lalalala lala, lála! Como era contente. Irritantemente. A mesma alegre melodia. De manhã. De noite. De repente!
Fui perguntar aos vizinhos, na esperança de mais algum descontente. Ninguém ouvia. Todos indiferentes! Toquei várias vezes a campainha do vizinho feliz, mas nunca encontrei ninguém. Olhei pelo muro. Vigiei a porta e a janela para ele não fugir. Mas não via o vizinho chegar. Nem partir!
E ficamos assim... Dias. Semanas. Um mês. Dois meses... E o mesmo assovio, dia e noite, feito açoite! Até que no mês de dezembro, voltei pro meu apartamento. Novinho em folha. Tão belo. E tão sem ninguém...
Estou lá há uns três meses e, às vezes, bate aquela solidão. É aí que, de manhãzinha, eu confesso que sinto falta. E apelo descaradamente: lála, lalalala lala, lála...
 
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

CRIANÇAS, CACHORROS... E PAPAI NOEL!

 
Crianças são geniais. Aprendem rápido as coisas. E, imediatamente, começam a fazer incríveis associações! Muitas vezes, colocando a gente em saias justas...
O bom, é que continuam puras e sinceras. Acho que é por isso que elas se dão tão bem com os animais. Minha sobrinha Mariana adora cachorros e já teve todo tipo de cãezinhos. O vira lata Zeca, de pelo curto e sem pescoço. A Petuska, um poodle pequeno de cor champanhe e pelo encaracolado. A buldogue Madona, toda tigrada, e o sheepdog Zetti, enorme, de pelo longo e branco. Esse era muito bonito, mas o problema é que vira e mexe aparecia com pulgas!
Foi através dele que Mariana teve seu primeiro contato com os indesejáveis habitantes caninos e como toda criança, que sonha em ser veterinária por uns dois ou três meses na vida, ela mesma queria tratar do bicho.
O remédio era mau cheiroso e deixava forte vestígio nas mãos. Mesmo assim, ela gostava de cuidar, embora tivesse um declarado asco pelos bichinhos saltitantes!  E dava certo. Mariana entendia dos bichos. E do pelo dos bichos!  
Perto de completar cinco aninhos, próximo do Natal, Mariana foi levada pelos pais até o Shopping para conhecer o Papai Noel. Já na fila, observando de longe o bom velhinho, de longas barbas brancas, ela não pareceu muito confortável.
Logo de cara, disse que não queria falar com ele. Nem sentar se junto dele no trono. Diante da surpresa, a família resolveu insistir. Foi a contragosto que Mariana, já sentada no colo do velhinho, olhou bem de perto a sua barba longa e branca e começou a gritar ...  Não quero! Me tira daqui!
Chorosa, foi sacada rapidamente do local, sem um sorriso, nem a foto clássica de Natal.
Longe dali, a mãe surpresa perguntou: -Você não gostou do Papai Noel? - Não!  Porque? - Ele tem barba de pelo longo e branco... E o que que tem isso?
- Tem que ele é pulguento!
Oras!   


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