quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SUPERSTIÇÃO?


Dora era única! Especial. De estatura baixa. Gorda, só da cintura para baixo. Pernas brancas e roliças, em xis. E dona de um enorme par de olhos verdes, do tamanho do seu coração.
Mas tinha suas esquisitices. A simetria, por exemplo. Trabalhava há anos com minha família e os objetos das mesas e prateleiras tinham que ficar sempre equilibrados. Dois pra direita. Dois pra esquerda. Um de um lado. Um no meio. Outro do outro lado. Tudo simetricamente distribuído. Toque? Acredito que não. Era pela estética mesmo.
Ela achava bem melhor daquele jeito e pronto! Dava um trabalhão espalhar as coisas quando Dora saia e quebrar aquela rígida distribuição, dando agradável liberdade às coisas.
Além da simetria, outras manias e superstições estavam incorporadas a Dora. Acreditava em olho gordo e mau agouro. Mariposa preta, por exemplo. Era sinal de morte por perto. Quando entrava alguma em minha casa, ela já tremia da cabeça aos pés. -Nossa, vai morrer alguém!  Às vezes, demorava uns três, quatro dias, sem nenhuma morte sequer, e aí Dora forçava... Viu? Fiquei sabendo que morreu o irmão do vizinho do meu cunhado...  -Tá bom, Dora, eu fingia que valia... 
Outra maluquice, além de achar que eu deveria ser a primeira dama da minha Cidade e que devia abrir uma floricultura junto com ela e comercializar vasos de plantas, pois sabia da minha paixão e aptidão para criar orquídeas, era com relação a dois ursinhos de pelúcia que eu tinha no quarto do casal.
Depois de arrumar a cama, esticar os lençóis e borrifar meus perfumes mais exóticos, ela colocava os dois ursinhos se beijando. De início, achei que tinha sido sem querer. No dia seguinte, achei que fosse brincadeira. Mas depois de semanas assim, perguntei: Dora, você coloca os ursinhos se beijando de propósito? - Claro, Dona Inês. Eles se amam!  
Não sei como Dora descobriu isso... Fiquei com medo de perguntar! Aliás, Dora já não trabalha mais com a gente faz alguns anos. E vou confessar... até hoje,  quando arrumo o quarto, coloco os ursinhos se beijando. Vai que...

 
********************************************
OBRIGADA PELA VISITA! SE QUISER RECEBER AS POSTAGENS SEMANAIS, TODA QUARTA FEIRA, DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO NO LADO DIREITO DA PÁGINA OU CLIQUE EM SEGUIR + FOLLOWERS). NO FINAL DO MÊS TEM SORTEIO DE UM LIVRO INFANTIL! BOA SORTE!

 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A MESMA MÚSICA...

 
Parece que escuto a mesma música. Sempre. E ela serve pra hoje!
Artistas brasileiros, em diferentes tempos, com seus cantos certeiros... 
Lá nos setenta, Milton cantava pra uma gente que ri ao invés de chorar. E não vive, apenas aguenta. A gente agora, igualmente se isenta!
Nos oitenta, Renato! Na favela, no Senado, tristeza pra todo lado, ninguém respeita a constituição... Tudo igual. Sim ou não? Só não temos mais dúvidas de que Pais é esse! É a p. do Brasil, gritava a galera, que ainda não batia panelas!
E Cazuza então? Descobriu antes de todos, qual era o negócio e nome do sócio!  Uma premonição? Talvez não! A JBS não merece uma canção! Acho que a melhor solução, o Raulzito, lá atrás, já definiu: é alugar o Brasil!
E enquanto a sujeira continua, a gente canta músicas de outrora como se fossem de agora... Mesmo com toda a lama, com toda a cama, todo sistema, toda Ipanema, a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando... bola nas costas!
Os homens do planalto, impunes, se unem. E exercem seus podres poderes. A Plebe continua rude e a gente não sabe até quando esperar....  
É o Brasil com a cara de sempre. A música de sempre! E os inimigos? Estão no poder...
Ideologia!  Eu continuo querendo... Só uma, pra viver!

*                                     *                                          *


OBRIGADA PELA VISITA!  QUER RECEBER AS POSTAGENS DO BLOGUE TODA QUARTA FEIRA?  CLIQUE EM SEGUIR + ( FOLOWERS) NO CANTO DIREITO DO BLOGUE OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO! É FÁCIL! E VOCÊ CONCORRE A UM LIVRO INFANTIL EM SETEMBRO. BOA SORTE!

                      *                              *                           *

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O VENTO LEVOU...

 
Foi no meio do caminho. O encontro desigual com a natureza. Ela, com a beleza. Eu, com a tentação!  
Era a Br 116. Estrada da morte. Por azar, ou pura sorte, uma magnífica flor no meio da paisagem apareceu. Nada mal. Ficaria perfeita no meu vaso solitário de cristal!  
E estava logo ali. Menos de um metro do sopé da Serra... Parei o carro no acostamento, entre o perigo e uma vontade tamanha. Só uma canaleta separava a estrada e a montanha.  De longe era pequena, talvez uns trinta centímetros e fácil de pular. Pois tinha mais de um metro e um entorno de espinhos a lhe rodear.
Com um pé de um lado e o outro feito compasso, me arranho e me amasso, até chegar ao seu alcance. Agarro a flor desejada, que mesmo esganada, insiste em  não se quebrar.
Puxo mais firme. Ela escapa. Desliza entre os dedos, com medo e exaustão. Queimando a palma da minha mão. Não desisto. Agora é que não! E sem nada que pudesse cortar, agarro a flor e começo a girar... girar... Até a bela se entregar.
Nessa altura éramos três. Eu, a dor, e a flor!  E aquela ideia, de horror.
Mas o vento forte de repente bateu. E feito pluma, diante dos carros e dos meus olhos, a flor, livre e desfeita, desapareceu...
Sobrou só o cabo. Caule seco. Sem vida.
Voltei pela mesma via... Mãos vazias. Sem a flor. Só a dor!

*                           *                                  *                                   *                               *

OBRIGADA PELA VISITA!  QUER RECEBER AS POSTAGENS DO BLOGUE TODA QUARTA FEIRA?  CLIQUE EM SEGUIR + ( FOLOWERS) NO CANTO DIREITO DO BLOGUE OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO! É FÁCIL! E VOCÊ CONCORRE A UM LIVRO INFANTIL EM SETEMBRO. BOA SORTE!

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

AINDA FAÇO ISSO...

 
Deve ser uma dessas modinhas. Mais uma! As incontáveis listas que aparecem nas redes sociais, com mais de cinquenta, cem coisas que uma pessoa deveria fazer antes de morrer.
Confesso que andei lendo. Algumas delas me pareceram um pesadelo. Não tenho a mínima vontade, por exemplo, de participar de um desafio nórdico para nadar sem roupas nas águas geladas da Noruega ... Nem trafegar em desfiladeiros da América Central, fazendo curvas acentuadas bem próximas do abismo... Ou, mergulhar cercada de grades, para ver de perto enormes tubarões...
Talvez minha porção aventureira esteja mais recolhida de uns anos pra cá!  Mas certas coisas bobinhas, sem necessidade de muita coragem ou dinheiro, confesso que tenho vontade de fazer um dia. Com total sigilo e oportunidade.
Uma delas é guerrear com travesseiros. De penas, claro. E de preferência em casa, pra ninguém ver...  Imagino as plumas flutuando no ar, em golfadas de apertos. Balé de penas, em meio a sopapos e solavancos. Divirto-me em  imaginar! Mesmo sabendo que os travesseiros de penas andam caros pra danar... Talvez desista desta experiência!
Outra vontade? Além de sapatear numa poça d’água junto ao poste, a “lá Gene Kelly”, coisa que fiz na última chuva... e de apertar geléias de mocotó colorido em supermercados, seria, com certeza, bem mais arriscado: imagine rolar na grama montanha abaixo, com uma escoliose na C4, e uma dorzinha de cabeça sempre a  latejar? Melhor não tentar.
Ah..mas tem uma coisa que dá pra fazer! Vi na semana passada. Um bebê de dois aninhos que colocava a mão dentro de um pote de sagú e esmagava as bolinhas incolores dentro daquela gosminha vermelha!
Ele caia na gargalhada. Eu também. Não sei se terei tanta ousadia !


*                              *                                   *                               *

OBRIGADA PELA VISITA!!!  QUER RECEBER AS NOVAS POSTAGENS , TODA QUARTA FEIRA?  CLIQUE EM SEGUIR + FOLLOWERS OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO!  EM SETEMBRO, UM LIVRO INFANTIL DE PRESENTE!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DÁ PRA FALAR AGORA?

 
Precisava falar com Deus... Mas tinha que ser agora!
Fico muito zangada quando encontro a porta da igreja fechada. E não tem ninguém pra me escutar. Oras! Tenho que ter hora marcada pra falar com Deus? E se for urgente? Se precisar falar neste exato momento?
É certo que a violência anda em alta e até santo no altar está desaparecendo. Mas precisava tanto falar... Se fosse de madrugada, a porta trancada, eu até entenderia. Mas ainda nem acabou o Fantástico...
Precisava falar em particular. Não na missa. Cheia de gente orando.Vozes e cantos. Queria Tête-à-Tête!  Falar baixinho. Contar umas coisinhas. Fazer uns pedidinhos... Alguns desabafos e arrependimentos. Mas, sobretudo, trocar uma idéia. Saber se o caminho está certo. Com que nota estou...
Mas com a porta fechada, fecho o tempo! E o coração. Devo marcar outra hora? Assim como no dentista, no médico ou no massagista? Ora, Deus não faria isso. Deus não pede pra adiar.
Bato palmas! Não tem coroinha. Nem padre na sacristia. Nem ninguém que possa intermediar.... Por um instante me divirto imaginando Deus em grupos do whatsapp, face, instagram... Não! Deus não aguentaria tanta superfície.
Desisto do nosso encontro urgente. Descobrirei outra maneira de lhe falar, quando a dor apertar. Volto caminhando pra casa, cabeça baixa em desapontamento.
Sem perceber que na esquina ao lado, com um morador de rua, em afável bate papo... estava Deus!
Eu nem vi! Ele me contou ...



*                               *                                *                               *


AGRADECENDO AS 35 MIL VISUALIZAÇÕES DO BLOGUE!!!
...E LEMBRANDO QUE EM SETEMBRO TEM MAIS SORTEIO DO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA"!!!  SIGA O BLOGUE CLICANDO EM SEGUIR + folowers  OU DEIXANDO SEU E MAIL PARA ENVIO DAS POSTAGENS! BOA SORTE! 
 *                             *                                   *                                    *
 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

LICENÇA PARA ANDAR



Às vezes sinto uma vontade imensa de largar a rotina e andar.
Andar por andar... Numa estrada de terra ou na areia, perto do mar.
Não me pergunte quantas horas ou quantos dias. Trata-se de uma licença indeterminada para andar. E não me venha com a ideia de ir a Compostela. Não quero metas, nem objetivos a alcançar. Andar por andar! 
Também não quero ninguém no caminho. Talvez um passarinho. Um lagarto. Ou uma conchinha do mar. Quero o vazio. Esvaziar... Livres, o coração e a mente.
Caminhar sem pensamento, sentimento, lamento, contratempo ou investimento... Quero braços e pernas em movimento cadenciado. Coração tuntaqueando sossegado.
E a alma desdobrada, flutuando bem ao lado. Leveza, sem meditação. Sozinho, sem solidão! Andar por andar, sem maior ou menor explicação.
E depois de algum tempo, vagando, saberei a hora de voltar. Com certa satisfação. Como no último dia de uma longa viagem... Mas sem as malas entuchadas. Nem ticket de passagem.
Vou dar meia volta, somente, e recomeçar...
Um dia vou saber, onde enfim, quero chegar!

*                                *                                         *                                        *

SIGA O NOSSO BLOGUE E CONCORRA AO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" NO FINAL DE AGOSTO! CLIQUE EM GOOGLE + FOLLOWERS OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO PARA RECEBER AS POSTAGENS! BOA SORTE!

sábado, 5 de agosto de 2017

RESENHA DO MÊS: FRONTEIRA - Luis Fernando Pereira

 
           ENTRE PALAVRAS E RÍTMOS...
                                                     ARMAS E CRUCIFIXOS...
“Os desgraçados vagam dias e dias como fantasmas, lamentando a própria sorte, a procura de uma saída. Mas logo o tormento se encerra. Porque se convertem em estátuas e desaparecem, esquecidos, entre os troncos de pedra.”
Imagens impactantes como essa, povoaram minha mente nos dois dias que reservei para a leitura do livro “Fronteira”, de Luis Fernando Pereira. Seus relatos são breves.  Muitos deles, mergulhados em submundos da América latina, recheados de regionalidade e terrenos incertos. De crenças e matança. Caboclos e vizinhanças. Bandidos e desafetos.
Com uma poética forte. O texto é bem articulado. Sonoro. Com frases curtas, excessos coloquias, gírias e hispanismos. As religiões aparecem em toda a leitura... Bíblia, espíritos, pastores evangélicos, feiticeiros, terço amarrado nos dedos, buzios e tarô...
Mas ninguém está imune às artimanhas da caveira. Enviaram pra me envenenar. Nossa Senhora disfarçada de Maria Madalena...”
Assim como as idéias de vida e morte, sempre presentes...
Ele tremeu, virou os olhos, berrou para fora da sua alma. Estava possuído pelo rei-general dos falecidos”.
E assim, segue o livro seu caminho de fronteira, coragem e espinhos. Às vezes como observador, às vezes como protagonista, o autor mistura repertórios e cenários...
Eu bebia com mineiros, mareado pelo pisco do pacífico, na companhia de um casal de suecos...”.
Mundos efervescentes. Mistura de bairros, línguas e países. Fanáticos, defuntos e videntes. Gentes e suas conturbadas relações. Até as tecnologias atuais surgem nos relatos, em universos familiares,  multifacetados e contemporâneos.
O que parece unir tudo isso? A vertigem. O relato breve. As Frases curtas. Tudo bem articulado de modo a ditar forte rítmo ao texto, selvagem cavalo em marcha.
E  Luis Fernando Pereira, ultrapassa assim sua fronteira...
“A gente acha que cria, mas não decide nada, as sentenças já vem prontas com a página”.
Um livro interessante. Para se conhecer!
Menção honrosa no prêmio Sesc de literatura 2014.

Título:  FRONTEIRA
Autor: Luis Fernando Pereira
Data de publicação: março/2016
Páginas: 79
Coleção Passos Perdidos
https://www.chiadoeditora.com/
https://www.facebook.com/ChiadoEditora