quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O CARDÁPIO DA VIZINHA

 
Ganhei novos vizinhos ao lado. No apartamento vinte três! 
Nas primeiras semanas, pensei que se tratasse de um “masterchef”. Depois, imaginei um casal, com uma mulher meio gorda, dessas que vivem para cozinhar. Ou,  uma família abastada, com sua cozinheira genial...
Acontece que meus dias não estão sendo mais os mesmos. Logo pela manhã, sou acordada por um cheiro irresistível de pão com manteiga, torrado na chapa. Outras vezes, uma espécie de tapioca com côco e azeite de dendê! Seria ela nordestina? Não sei, ainda... 
No almoço, carnes e peixes variados. Com temperos e aromas fantásticos, que despertam a gula em qualquer mortal carnívoro. Com certeza, não são vegetarianos...
E à tarde, quase sempre, um bolo de laranja! Sabe o que é sentir cheiro de bolo de laranja com café, às cinco da tarde? Felizmente, é muito raro ficar em casa neste horário. Mas é à noite, quando estou chegando, despedaçando-me de fome e cansaço, que vem a tortura final. Já no corredor, o cheiro dos molhos mais exóticos...  Nuances de macadâmia, molho madeira, manjericão...

Por  Deus! Está ficando cada vez mais difícil comer aquela saladinha leve de alface e tomate todas as noites, sentindo os aromas inebriantes que penetram pelas frestas da porta e das janelas do apartamento.
Semana passada, encontrei na porta, a incrível vizinha do vinte e três. Magra. Esbelta. Muito bem vestida. Perguntei, cordialmente, se era ela que cozinhava e tão bem. Simpática e gentil, ela sorriu e fez sinal com a cabeça dizendo que sim! Não perguntei mais nada. Nem mesmo se ainda trabalhava fora.
Vai que ela diz que é CEO de uma empresa e líder do mercado. Seria muita competência... morando ao lado!


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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

MEMÓRIA DE PAPEL

Dizem que os franceses carregam os pães debaixo do braço. Por tradição. Também não são chegados a banhos diários. Povo estranho esse que vive na bela Paris!
Lembro quando minha única tarefa de filha era buscar o pão às cinco da tarde. Os pãezinhos vinham, todos, naquele clássico saquinho marrom que resiste até hoje. Papel grosso, que amassa fácil e fica excelente para escrever música e poesia.
E a bengala, quente e estalando, vinha enrolada num papel rosa. Papel duro. Que mais tarde foi substituído por um meio transparente, vegetal, parecido com o papel que envolvia as barrinhas de chocolate, só que mais grosso. Ah... as sedas dos chocolates.
Era lindo abrir o lingote de “Diamante Negro” e desfolhar o papel que o envolvia, em cima de uma tira de papelão. São os papéis da minha memória. Que vem numa espécie de trem das cores e de espessuras. Como o papel azul que envolvia a maçã, perpetuado na música...
Papéis são provas de vida. No mais amplo sentido. Eu adorava aqueles papeizinhos que sobravam, quando se arrancava uma folha do caderno espiral... Pedaços iguais a um quebra-cabeça. Mas que não se juntavam jamais.
E eram muitos os papéis dos alimentos, antes de serem engolidos pelas embalagens flip. Bem mais herméticas, convenhamos.
E para o peixe, dentro  do plástico com gelo? Só mesmo o papel jornal!
Tinha papel em todo lugar. O papelzinho que lacrava a caixinha de fósforo. O papel da carta, com cheirinho de talco..
E como não lembrar... o papel dos confetes, que se escondiam nas frestas dos tacos de madeira e no sofá. E ressurgiam de repente, depois de  anos, décadas, talvez, milênios...


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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

SOMOS TODOS CLICHÊ?

 
Morar próximo ao maior porto da América Latina tem seus encantos e clichês! E, cá pra nós, quem nunca embarcou feliz em um pegajoso clichê?
Os lencinhos brancos, por exemplo. Nas mãos das pessoas, acenando para o transatlântico que passa repleto de turistas no “pier” lotado, sob a luz do sol e os peixinhos a nadar no mar ( clichê de Jobim...), é sempre belo de se ver! Compõem tão bem!
Às vezes não temos parentes, sequer conhecidos. Acenamos ao léu! Puro prazer de estar na cena! E os clichês, às vezes mudam de águas... O que dizer das fotos dos casais nas gôndolas de Veneza? Ar de eternos apaixonados...  Devem ter discutido a beça se valia a pena ou não pagar os 80 Euros do passeio!  Não é um clichê barato, não! 
Asseguro, porém, que nunca reproduzi a cena de Titanic na proa de um navio!  Mas a foto de braços abertos nas escadarias do Corcovado, imitando o Cristo Redentor, essa eu fiz! Tenho até hoje a prova. 
Também são bons, os saudosos clichês musicais... Quem nunca terminou a festa cantando “Andança” em corinho, com um grupo de velhos amigos recordando os anos rebeldes? Ah, não?  Foi “ Alegria, Alegria”, então? ...também serve!
Mas, clichê do clichê é imaginar que, no banheiro do aeroporto, alguém irá nos chamar pelo auto falante e impedir nosso vôo... Um Humphrey Bogart qualquer, mudando a história e pedindo pra não partir.  Ilusão! O amor hoje em dia manda whatsapp. – Bora, já!  Desce, aí!!  
E pra terminar o texto em clichê, antes de escrever “FIM”, gostaria que o caro leitor, com seus mais de quarenta anos, olhasse pela janela...
-Olha que céu azul! Agora, confessa, que deu vontade de completar bem baixinho...
 .... azul até demais!!!

                                                 FIM


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RECEBENDO O PRESENTE DA AUTORA PORTUGUESA "JOANA SANTOS SILVA". SEU BONITO LIVRO "ONÍRIA"... RECHEADO DE POESIAS E INQUIETAÇÕES DA ALMA...
UMA BOA DICA DE LEITURA! DA EDITORA CHIADO.

 
E A GANHADORA DO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA"
DESTE MÊS DE SETEMBRO FOI " MARCIA SALGADO"!!!
NO MÊS QUE VEM TEM MAIS!!!

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A MÃE DA FORMIGA

                                                                                                  Desciclopédia

Tem gente que é cascuda. Leva cada porrada da vida!
Levanta, sacode a poeira e segue em frente, sem grandes danos. Não leva culpa. Nem culpa ninguém. Assim lhe faz bem!
E é bom que tenha gente assim. Que segue sem lamento, aprendendo ao seu tempo. Muitas vezes, sem nenhum comprometimento. É um jeito! E cada um tem o seu de viver.
Tem gente, porém, que é pura seda. Rasga fácil. E desfaz-se em pedaços. Basta um peteleco da vida e a alma se contorce toda. Um beijo mal dado e lá se vai o feriado!  Uma palavra errada do amigo e a relação corre perigo. E quando a injustiça começa rondar, o mundo está pra desabar.  
Não se trata de melindre, ou bipolaridade. É o “ser sensível”! Aquele que se trabalhasse em um hospital viveria o drama de cada paciente. Aquele que vê desenho da Disney e chora. Aquele que sente e se incomoda! E como é duro ser assim...
Dizem que é coisa de artista, poeta, gente que não sabe ganhar dinheiro. Só problemas existenciais.  E deve ser sim. Sou deste último tipo desde pequena. Os sentimentos ecoam gigantes. Muitas vezes, desproporcionais. Para o bem e para o mal. Mas sempre deixam, de presente na alma, um belo contorno final!  
Eu tinha cinco anos e lembro perfeitamente... Estava sentada no chão da cozinha olhando uma fila de formiguinhas que passavam perto. Como toda criança, impetuosa, e muitas vezes cruel, espremi com o dedo a última formiga da turma. Queria tocar. Sentir seu cheiro. Experimentar o caos!
Foi quando meu pai, sem ter a noção do tecido frágil de que era feito meu coração, perguntou com ar sério: - você matou a formiguinha?  Sabia que a mamãe dela estava esperando ela chegar em casa? 
A frase danosa entrou feito punhal no meu coração. Foram dias de tristeza e a promessa de nunca mais matar uma formiga sequer. Nem as saúvas!
Nenhuma mãe, mesmo inseto, merece!     



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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

SUPERSTIÇÃO?


Dora era única! Especial. De estatura baixa. Gorda, só da cintura para baixo. Pernas brancas e roliças, em xis. E dona de um enorme par de olhos verdes, do tamanho do seu coração.
Mas tinha suas esquisitices. A simetria, por exemplo. Trabalhava há anos com minha família e os objetos das mesas e prateleiras tinham que ficar sempre equilibrados. Dois pra direita. Dois pra esquerda. Um de um lado. Um no meio. Outro do outro lado. Tudo simetricamente distribuído. Toque? Acredito que não. Era pela estética mesmo.
Ela achava bem melhor daquele jeito e pronto! Dava um trabalhão espalhar as coisas quando Dora saia e quebrar aquela rígida distribuição, dando agradável liberdade às coisas.
Além da simetria, outras manias e superstições estavam incorporadas a Dora. Acreditava em olho gordo e mau agouro. Mariposa preta, por exemplo. Era sinal de morte por perto. Quando entrava alguma em minha casa, ela já tremia da cabeça aos pés. -Nossa, vai morrer alguém!  Às vezes, demorava uns três, quatro dias, sem nenhuma morte sequer, e aí Dora forçava... Viu? Fiquei sabendo que morreu o irmão do vizinho do meu cunhado...  -Tá bom, Dora, eu fingia que valia... 
Outra maluquice, além de achar que eu deveria ser a primeira dama da minha Cidade e que devia abrir uma floricultura junto com ela e comercializar vasos de plantas, pois sabia da minha paixão e aptidão para criar orquídeas, era com relação a dois ursinhos de pelúcia que eu tinha no quarto do casal.
Depois de arrumar a cama, esticar os lençóis e borrifar meus perfumes mais exóticos, ela colocava os dois ursinhos se beijando. De início, achei que tinha sido sem querer. No dia seguinte, achei que fosse brincadeira. Mas depois de semanas assim, perguntei: Dora, você coloca os ursinhos se beijando de propósito? - Claro, Dona Inês. Eles se amam!  
Não sei como Dora descobriu isso... Fiquei com medo de perguntar! Aliás, Dora já não trabalha mais com a gente faz alguns anos. E vou confessar... até hoje,  quando arrumo o quarto, coloco os ursinhos se beijando. Vai que...

 
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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A MESMA MÚSICA...

 
Parece que escuto a mesma música. Sempre. E ela serve pra hoje!
Artistas brasileiros, em diferentes tempos, com seus cantos certeiros... 
Lá nos setenta, Milton cantava pra uma gente que ri ao invés de chorar. E não vive, apenas aguenta. A gente agora, igualmente se isenta!
Nos oitenta, Renato! Na favela, no Senado, tristeza pra todo lado, ninguém respeita a constituição... Tudo igual. Sim ou não? Só não temos mais dúvidas de que Pais é esse! É a p. do Brasil, gritava a galera, que ainda não batia panelas!
E Cazuza então? Descobriu antes de todos, qual era o negócio e nome do sócio!  Uma premonição? Talvez não! A JBS não merece uma canção! Acho que a melhor solução, o Raulzito, lá atrás, já definiu: é alugar o Brasil!
E enquanto a sujeira continua, a gente canta músicas de outrora como se fossem de agora... Mesmo com toda a lama, com toda a cama, todo sistema, toda Ipanema, a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando... bola nas costas!
Os homens do planalto, impunes, se unem. E exercem seus podres poderes. A Plebe continua rude e a gente não sabe até quando esperar....  
É o Brasil com a cara de sempre. A música de sempre! E os inimigos? Estão no poder...
Ideologia!  Eu continuo querendo... Só uma, pra viver!

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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O VENTO LEVOU...

 
Foi no meio do caminho. O encontro desigual com a natureza. Ela, com a beleza. Eu, com a tentação!  
Era a Br 116. Estrada da morte. Por azar, ou pura sorte, uma magnífica flor no meio da paisagem apareceu. Nada mal. Ficaria perfeita no meu vaso solitário de cristal!  
E estava logo ali. Menos de um metro do sopé da Serra... Parei o carro no acostamento, entre o perigo e uma vontade tamanha. Só uma canaleta separava a estrada e a montanha.  De longe era pequena, talvez uns trinta centímetros e fácil de pular. Pois tinha mais de um metro e um entorno de espinhos a lhe rodear.
Com um pé de um lado e o outro feito compasso, me arranho e me amasso, até chegar ao seu alcance. Agarro a flor desejada, que mesmo esganada, insiste em  não se quebrar.
Puxo mais firme. Ela escapa. Desliza entre os dedos, com medo e exaustão. Queimando a palma da minha mão. Não desisto. Agora é que não! E sem nada que pudesse cortar, agarro a flor e começo a girar... girar... Até a bela se entregar.
Nessa altura éramos três. Eu, a dor, e a flor!  E aquela ideia, de horror.
Mas o vento forte de repente bateu. E feito pluma, diante dos carros e dos meus olhos, a flor, livre e desfeita, desapareceu...
Sobrou só o cabo. Caule seco. Sem vida.
Voltei pela mesma via... Mãos vazias. Sem a flor. Só a dor!

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