quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O ASSOVIO MORA AO LADO...


Um assovio alegre. Muito alegre. Repetido várias vezes. Por uns dias. Por uns meses...
Durante uma reforma infindável no meu apartamento, tive que morar, por um tempo, numa casa emprestada. E com um vizinho de muro colado. Jardim com jardim. Quintal com quintal. E a mesma caixa postal!
Tudo era aceitável, naquele improviso temporário. Até que, no silêncio da manhã, uma alegre marchinha de exército americano alguém começou a assoviar ... lála, lalalala lala, lála!  Um rapaz? Um soldado?  Um velho desocupado, ensinando um papagaio? Dormi mais um pouco, embalada pelo assovio intermitente...  
E veio a noite. E o assovio, novamente. Lála, lalalala lala, lála! Como era contente. Irritantemente. A mesma alegre melodia. De manhã. De noite. De repente!
Fui perguntar aos vizinhos, na esperança de mais algum descontente. Ninguém ouvia. Todos indiferentes! Toquei várias vezes a campainha do vizinho feliz, mas nunca encontrei ninguém. Olhei pelo muro. Vigiei a porta e a janela para ele não fugir. Mas não via o vizinho chegar. Nem partir!
E ficamos assim... Dias. Semanas. Um mês. Dois meses... E o mesmo assovio, dia e noite, feito açoite! Até que no mês de dezembro, voltei pro meu apartamento. Novinho em folha. Tão belo. E tão sem ninguém...
Estou lá há uns três meses e, às vezes, bate aquela solidão. É aí que, de manhãzinha, eu confesso que sinto falta. E apelo descaradamente: lála, lalalala lala, lála...
 
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

CRIANÇAS, CACHORROS... E PAPAI NOEL!

 
Crianças são geniais. Aprendem rápido as coisas. E, imediatamente, começam a fazer incríveis associações! Muitas vezes, colocando a gente em saias justas...
O bom, é que continuam puras e sinceras. Acho que é por isso que elas se dão tão bem com os animais. Minha sobrinha Mariana adora cachorros e já teve todo tipo de cãezinhos. O vira lata Zeca, de pelo curto e sem pescoço. A Petuska, um poodle pequeno de cor champanhe e pelo encaracolado. A buldogue Madona, toda tigrada, e o sheepdog Zetti, enorme, de pelo longo e branco. Esse era muito bonito, mas o problema é que vira e mexe aparecia com pulgas!
Foi através dele que Mariana teve seu primeiro contato com os indesejáveis habitantes caninos e como toda criança, que sonha em ser veterinária por uns dois ou três meses na vida, ela mesma queria tratar do bicho.
O remédio era mau cheiroso e deixava forte vestígio nas mãos. Mesmo assim, ela gostava de cuidar, embora tivesse um declarado asco pelos bichinhos saltitantes!  E dava certo. Mariana entendia dos bichos. E do pelo dos bichos!  
Perto de completar cinco aninhos, próximo do Natal, Mariana foi levada pelos pais até o Shopping para conhecer o Papai Noel. Já na fila, observando de longe o bom velhinho, de longas barbas brancas, ela não pareceu muito confortável.
Logo de cara, disse que não queria falar com ele. Nem sentar se junto dele no trono. Diante da surpresa, a família resolveu insistir. Foi a contragosto que Mariana, já sentada no colo do velhinho, olhou bem de perto a sua barba longa e branca e começou a gritar ...  Não quero! Me tira daqui!
Chorosa, foi sacada rapidamente do local, sem um sorriso, nem a foto clássica de Natal.
Longe dali, a mãe surpresa perguntou: -Você não gostou do Papai Noel? - Não!  Porque? - Ele tem barba de pelo longo e branco... E o que que tem isso?
- Tem que ele é pulguento!
Oras!   


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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

QUAL A CAPITAL DO UZBEQUISTÃO?

 
Dizem que eles são loucos. Doidos varridos. Eu prefiro chamar de marqueteiros natos. Alguns, geniais...
São os ambulantes criativos e, às vezes, exóticos, que se espalham pelas praças, ruas e avenidas vendendo seus produtos com arte e irreverência. Aqui nas praias do litoral de São Paulo temos aos montes.
Um deles, carrega o produto na cabeça. Seus cachos de cabelos negros, emaranhados pelo tempo, servem de encaixe perfeito para cascas vazias de amendoim. Ele é avistado à distância com os exóticos enfeites presos na cabeleira. Nada fashion. Nem higiênico. Mas é impossível não ver o vendedor de amendoins se aproximando, com sua camisa preta, amarela , verde e vermelha com o rosto do Bob Marley...
Outro vendedor conhecido, é um gordinho, com sotaque nordestino e voz estridente que bate martelo num bumbo, gritando bem alto: Cocada light. Cocada diet. Cocada engordiet!  Os gritos assustam  os quem ainda não o conhecem. Mas é assim que ele vende cocada que nem água! De coco!
Mas o marketing mais criativo, era de um rapaz que vendia sanduíches naturais nas praias do litoral sul. O nome dele era Rambo. Usava  bermudas camufladas de exército e uma fitinha na testa. Corpo avantajado e peito sem camisa. Uma espécie de Stallone tropical!  Caminhava quilômetros pela areia quente da praia e vinha lançando no ar, perguntas de conhecimentos gerais. Em geral, perguntava sobre as capitais. Numa época que ninguém tinha celular e não havia Google pra consultar...
Ele ia passando e perguntando:  - quem souber a capital de tal lugar, ganha um sanduiche do Rambo!  Vez ou outra,  algum professor acabava acertando. Mas, na maioria das vezes, ninguém matava a resposta e o Rambo sorria dizendo: - Tem que pesquisar pessoal. -Tem que estudar! 
Era simples e divertido. Criativo. Acho que foi por causa do Rambo que eu jamais esqueci o nome da capital do Uzbequistão, que é a cidade de... Melhor não contar. Vou fazer como o Rambo. Tem que pesquisar pessoal! Tem que estudar! 



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terça-feira, 28 de novembro de 2017

RESENHA DO MÊS: "CARNET DE VOYAGE" - EDGAR DUVIVIER

                                       “... o mar é um ótimo papo, sabe escutar e
                                                                guardar segredos pra sempre...”     
    Lindo de ler! Lindo de ver...  
Tem horas que a gente não está pra coisas muito densas e profundas. A vida anda tão carrancuda... O mundo, conturbado. Pra esses momentos que buscamos um pouco de leveza e um toque de beleza, nada melhor do que viajar nas páginas do livro “ Carnet de Voyage”. São 24 mini crônicas, acompanhados de belíssimos desenhos, que colorem cada cenário visitado pelo autor. Textos pequenos e deliciosos. Uma mistura perfeita! Afinal, à espera da terceira idade, como o próprio autor se declara, o escritor, músico e artista carioca Edgar Duvivier mostra sinais maduros de quem aprendeu saborosamente com a vida, o que é um bom cardápio... " escolher uma viagem é, as vezes, como escolher um prato de um restaurante que você já conhece. O apelo de repetir o que a gente gosta é grande, e acaba que muitas vezes, repetimos o prato.”
E ele repete mesmo. Sem pudor... “ sempre que posso volto a França...  como um pombo volta pra casa.” 
Comparando a vida, com grata simplicidade “... uma espécie de Carnet de Voyage. Um livro em branco onde vão se escrevendo histórias, se pintando quadros e guardando retratos.”
Longe de ser um guia turístico dos locais por onde passou, o livro de Duvivier é o registro de alguns lugares que ficaram na sua memória, nem sempre por serem os melhores, ou mais bonitos, mas por terem, de alguma forma, deixado uma marca... Assim foram, Roma “ onde você vê mais esculturas que gente...”, Lisboa “ é como visitar a casa da nossa avó”, New York “A menos americana” e “a mais americana do mundo”, Patagônia  whisky on the rocks com pedras de gelo milenares”, Cuzco  "No trem, entre porcos, galinhas, índios e turistas..” ,
Parada Filgueiras.,. “ Quando algum dia eu não vir mais nada, acho que estarei ainda vendo o sol nascer em Parada Filgueiras...”
E, vários outros locais exóticos, como Canal de St Martin, Boulder, Ilha da Madeira, São Domingos... Sem faltar, é claro, o seu Rio de Janeiro, por quem o autor se confessa apaixonado, “apesar de tudo”. Daí, talvez, o olhar poético sobre as favelas...  Quando escurece e as luzes se acendem no morro, as favelas dão de presente pra cidade um tesouro de jóias que brilham sob as curvas escuras das montanhas adormecidas”. Ou ainda, derramado sobre as praias cariocas...“ a praia do Arpoador é a praia em si!
É deste jeito que  “Carnet de Voyage” nos encanta e delicia. Como um leve e breve passeio olhando belas paisagens. Obra de um autor maduro, que divide com o leitor, seus desenhos, memórias e seu olhar poético. Sensibilidade que alcança além das emoções e experiências individuais, provocando ternura naquele que lê!  Como em seu último conto, o retrato delicado da mãe aos noventa anos, caminhando na praia rumo ao futuro, incerto...“ o medo da morte está na razão, o instinto sabe que tudo é um fluir!”
Carnet de Voyage flui deliciosamente bem. Um livro lindo de ler! Lindo de ver!
  
Livro: Carnet de Voyage
Autor:  Edgard Duvivier
Publicação: Julho de 2015
Número de Páginas: 60
Coleção: Passos Perdidos
Gênero: Crônicas
 
 
 
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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

NEM SIM, NEM NÃO!

 
A vida vai  nos lapidando. A idade e a experiência aguçam nossos sentidos. E cada vez mais, percebemos meias, segundas e terceiras intenções...
Um sorriso de lado. Um ato disfarçado. Um aperto de mão vazio...
Por outro lado, quanto mais desvendamos a alma humana, mais chato se torna descobrir suas artimanhas!  E como é custoso ter que ler entrelinhas... O que quis dizer aquela frase que ficou pela metade? Será que está ressentido? De verdade?
As redes sociais são as rainhas de tal leviandade. Repletas de meias palavras. Meias verdades... E não temos mais tempo pra isso! Queremos, alguns poucos, e em geral, solitários, tudo bem claro. Transparente, se possível! 
Nada de dizer que está lindo, quando na verdade não está. De dizer que gostou, quando apenas suporta. Que bom abrir as portas. As janelas. O coração...

Feito criança. Respostas simples. Sim ou não! 
Na juventude, nadando junto à corrente, a gente não lê entrementes. E acaba seguindo em frente sem perceber. Mas depois que se amadurece, e mais gentes se conhece, fica fácil decidir. Chega de meios sorrisos. Meias verdades. Meias intenções... 
A idade madura pede clareza. Olho no olho. Sinceridade. 
Um gesto real. Seja doce ou seja amargo! As Monalisas que me desculpem... 
Prefiro os sorrisos largos!


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sábado, 18 de novembro de 2017

QUANDO EU PAGAVA MEIA...


O nome do cine era Universo. Tinha o teto retrátil. O que era muito mais interessante que a maioria dos filmes que passavam...
Era mágico e excitante ver aquele portal gigante abrindo lentamente no final de cada sessão. E tinha sempre um noticiário em branco e preto, antes dos filmes. O Primo Carbonari. Com trilha orquestrada e notícias em voz padrão. E o Canal 100, mostrando cinematograficamente um clássico no Maracanã apinhado de gente. Eu gostava daquele balé de pernas, filmadas de baixo pra cima, driblando e passando a bola em “slow motion”.
Toda sessão era assim. Além de que, a maioria dos cinemas apresentava sessões duplas. “Dio Come te amo” era batata, antes da estréia de um novo filme, deixando ainda mais romântica, a adolescência paulistana. Ninguém reclamava. Tudo era cinema! Cada um com sua magia...
Gazeta, Gazetinha e Gazetão, vizinhos dos famosos cursinhos. E fiéis parceiros dos gazeteiros. Fontana e sua sessão tripla! Copan e Belas Artes, presença dos artistas! Cada cine, com o charme do seu tempo. E todos com um cheiro dominante. Mofo com aromatizante! E pipoca amanteigada...
Cines de som horroroso. Cadeiras de madeira e duro encosto. Por onde deslizavam chaves e carteiras. E depois de sentar, a estranha mania de observar... 

A mulher mais nova e o senhor sem cabelo. O homem magro, de rosto vermelho. A mulher que saiu do cabelereiro. E tantos Eduardos e Mônicas, sem moto, sem camelo...
Tudo num só cenário. Numa só sessão. E antes do filme começar, o cara gigante que sentava na nossa frente... Roubando parte da legenda e a paciência da gente.
Coisa de cinema. E tudo encantava.  Mas o cine Universo superava! Quando não chovia, o enorme teto se abria... Pra que até os anjinhos, lá de cima, dessem uma entradinha. Pura cortesia!  
  
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PENDURANDO ORQUÍDEAS

 
Parece que combinaram.Todos os meus vizinhos da rua. Os da direita, os da esquerda e os de frente... Resolveram pendurar orquídeas em suas árvores defronte aos prédios onde moram, no comecinho do mês de setembro. E parece que as plantas acolheram docemente o local da exposição. Florindo, todas ao mesmo tempo, numa explosão de cores em meio ao concreto e o cinzento das ruas.
Tem as amarelas. As brancas e lilases. As roxas. As azuis. E até as múltiplas róseas! Desde então, minha caminhada não tem sido a mesma. Agora, a pé pela calçada, não penso nas tarefinhas ordinárias, nas compras do mercado, no político safado, na conta que não fecha. Agora vejo árvores! Suas cores. Seus tamanhos. Seus troncos enfeitados.
Percebi duas quaresmeiras entre os enormes chapéus de sol. Uma pitangueira. Dois Ficus. E uma pequena e florida, que ninguém sabe o nome. Nem o porteiro do prédio. Linda. E com orquídeas penduradas, mais ainda!
Penso que foi essa delicadeza que despertou o meu novo olhar... E me atrevo a imaginar que, talvez,  um dia, a gente pudesse pendurar orquídeas em todo lugar.
Naquele quartinho de casa, cheio de quinquilharias, roupas e sonhos amarrotados... Uma orquídea por lá, não iria nos provocar?  E uma orquídea no porão ? Uma no estacionamento ? Outra, no viaduto de cimento. Ah.. e uma enorme, bem no pescoço do chefe avarento.  Não custa tentar... 
Pendurar orquídeas é bom demais! E elas mudam nosso olhar! Na minha rua já temos nas árvores, nas praças, nos jardins e quintais. Pensamos, agora, em orquídeas nas rampas de Brasília... 
Mas seria contraste demais! 

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