quarta-feira, 23 de agosto de 2017

AINDA FAÇO ISSO...

 
Deve ser uma dessas modinhas. Mais uma! As incontáveis listas que aparecem nas redes sociais, com mais de cinquenta, cem coisas que uma pessoa deveria fazer antes de morrer.
Confesso que andei lendo. Algumas delas me pareceram um pesadelo. Não tenho a mínima vontade, por exemplo, de participar de um desafio nórdico para nadar sem roupas nas águas geladas da Noruega ... Nem trafegar em desfiladeiros da América Central, fazendo curvas acentuadas bem próximas do abismo... Ou, mergulhar cercada de grades, para ver de perto enormes tubarões...
Talvez minha porção aventureira esteja mais recolhida de uns anos pra cá!  Mas certas coisas bobinhas, sem necessidade de muita coragem ou dinheiro, confesso que tenho vontade de fazer um dia. Com total sigilo e oportunidade.
Uma delas é guerrear com travesseiros. De penas, claro. E de preferência em casa, pra ninguém ver...  Imagino as plumas flutuando no ar, em golfadas de apertos. Balé de penas, em meio a sopapos e solavancos. Divirto-me em  imaginar! Mesmo sabendo que os travesseiros de penas andam caros pra danar... Talvez desista desta experiência!
Outra vontade? Além de sapatear numa poça d’água junto ao poste, a “lá Gene Kelly”, coisa que fiz na última chuva... e de apertar geléias de mocotó colorido em supermercados, seria, com certeza, bem mais arriscado: imagine rolar na grama montanha abaixo, com uma escoliose na C4, e uma dorzinha de cabeça sempre a  latejar? Melhor não tentar.
Ah..mas tem uma coisa que dá pra fazer! Vi na semana passada. Um bebê de dois aninhos que colocava a mão dentro de um pote de sagú e esmagava as bolinhas incolores dentro daquela gosminha vermelha!
Ele caia na gargalhada. Eu também. Não sei se terei tanta ousadia !


*                              *                                   *                               *

OBRIGADA PELA VISITA!!!  QUER RECEBER AS NOVAS POSTAGENS , TODA QUARTA FEIRA?  CLIQUE EM SEGUIR + FOLLOWERS OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO!  EM SETEMBRO, UM LIVRO INFANTIL DE PRESENTE!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

DÁ PRA FALAR AGORA?

 
Precisava falar com Deus... Mas tinha que ser agora!
Fico muito zangada quando encontro a porta da igreja fechada. E não tem ninguém pra me escutar. Oras! Tenho que ter hora marcada pra falar com Deus? E se for urgente? Se precisar falar neste exato momento?
É certo que a violência anda em alta e até santo no altar está desaparecendo. Mas precisava tanto falar... Se fosse de madrugada, a porta trancada, eu até entenderia. Mas ainda nem acabou o Fantástico...
Precisava falar em particular. Não na missa. Cheia de gente orando.Vozes e cantos. Queria Tête-à-Tête!  Falar baixinho. Contar umas coisinhas. Fazer uns pedidinhos... Alguns desabafos e arrependimentos. Mas, sobretudo, trocar uma idéia. Saber se o caminho está certo. Com que nota estou...
Mas com a porta fechada, fecho o tempo! E o coração. Devo marcar outra hora? Assim como no dentista, no médico ou no massagista? Ora, Deus não faria isso. Deus não pede pra adiar.
Bato palmas! Não tem coroinha. Nem padre na sacristia. Nem ninguém que possa intermediar.... Por um instante me divirto imaginando Deus em grupos do whatsapp, face, instagram... Não! Deus não aguentaria tanta superfície.
Desisto do nosso encontro urgente. Descobrirei outra maneira de lhe falar, quando a dor apertar. Volto caminhando pra casa, cabeça baixa em desapontamento.
Sem perceber que na esquina ao lado, com um morador de rua, em afável bate papo... estava Deus!
Eu nem vi! Ele me contou ...



*                               *                                *                               *


AGRADECENDO AS 35 MIL VISUALIZAÇÕES DO BLOGUE!!!
...E LEMBRANDO QUE EM SETEMBRO TEM MAIS SORTEIO DO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA"!!!  SIGA O BLOGUE CLICANDO EM SEGUIR + folowers  OU DEIXANDO SEU E MAIL PARA ENVIO DAS POSTAGENS! BOA SORTE! 
 *                             *                                   *                                    *
 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

LICENÇA PARA ANDAR



Às vezes sinto uma vontade imensa de largar a rotina e andar.
Andar por andar... Numa estrada de terra ou na areia, perto do mar.
Não me pergunte quantas horas ou quantos dias. Trata-se de uma licença indeterminada para andar. E não me venha com a ideia de ir a Compostela. Não quero metas, nem objetivos a alcançar. Andar por andar! 
Também não quero ninguém no caminho. Talvez um passarinho. Um lagarto. Ou uma conchinha do mar. Quero o vazio. Esvaziar... Livres, o coração e a mente.
Caminhar sem pensamento, sentimento, lamento, contratempo ou investimento... Quero braços e pernas em movimento cadenciado. Coração tuntaqueando sossegado.
E a alma desdobrada, flutuando bem ao lado. Leveza, sem meditação. Sozinho, sem solidão! Andar por andar, sem maior ou menor explicação.
E depois de algum tempo, vagando, saberei a hora de voltar. Com certa satisfação. Como no último dia de uma longa viagem... Mas sem as malas entuchadas. Nem ticket de passagem.
Vou dar meia volta, somente, e recomeçar...
Um dia vou saber, onde enfim, quero chegar!

*                                *                                         *                                        *

SIGA O NOSSO BLOGUE E CONCORRA AO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" NO FINAL DE AGOSTO! CLIQUE EM GOOGLE + FOLLOWERS OU DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO PARA RECEBER AS POSTAGENS! BOA SORTE!

sábado, 5 de agosto de 2017

RESENHA DO MÊS: FRONTEIRA - Luis Fernando Pereira

 
           ENTRE PALAVRAS E RÍTMOS...
                                                     ARMAS E CRUCIFIXOS...
“Os desgraçados vagam dias e dias como fantasmas, lamentando a própria sorte, a procura de uma saída. Mas logo o tormento se encerra. Porque se convertem em estátuas e desaparecem, esquecidos, entre os troncos de pedra.”
Imagens impactantes como essa, povoaram minha mente nos dois dias que reservei para a leitura do livro “Fronteira”, de Luis Fernando Pereira. Seus relatos são breves.  Muitos deles, mergulhados em submundos da América latina, recheados de regionalidade e terrenos incertos. De crenças e matança. Caboclos e vizinhanças. Bandidos e desafetos.
Com uma poética forte. O texto é bem articulado. Sonoro. Com frases curtas, excessos coloquias, gírias e hispanismos. As religiões aparecem em toda a leitura... Bíblia, espíritos, pastores evangélicos, feiticeiros, terço amarrado nos dedos, buzios e tarô...
Mas ninguém está imune às artimanhas da caveira. Enviaram pra me envenenar. Nossa Senhora disfarçada de Maria Madalena...”
Assim como as idéias de vida e morte, sempre presentes...
Ele tremeu, virou os olhos, berrou para fora da sua alma. Estava possuído pelo rei-general dos falecidos”.
E assim, segue o livro seu caminho de fronteira, coragem e espinhos. Às vezes como observador, às vezes como protagonista, o autor mistura repertórios e cenários...
Eu bebia com mineiros, mareado pelo pisco do pacífico, na companhia de um casal de suecos...”.
Mundos efervescentes. Mistura de bairros, línguas e países. Fanáticos, defuntos e videntes. Gentes e suas conturbadas relações. Até as tecnologias atuais surgem nos relatos, em universos familiares,  multifacetados e contemporâneos.
O que parece unir tudo isso? A vertigem. O relato breve. As Frases curtas. Tudo bem articulado de modo a ditar forte rítmo ao texto, selvagem cavalo em marcha.
E  Luis Fernando Pereira, ultrapassa assim sua fronteira...
“A gente acha que cria, mas não decide nada, as sentenças já vem prontas com a página”.
Um livro interessante. Para se conhecer!
Menção honrosa no prêmio Sesc de literatura 2014.

Título:  FRONTEIRA
Autor: Luis Fernando Pereira
Data de publicação: março/2016
Páginas: 79
Coleção Passos Perdidos
https://www.chiadoeditora.com/
https://www.facebook.com/ChiadoEditora
 
 
 
 
 
                       

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

É DOIDA A LUA?

 
 
 
A lua anda! Dando sustos e inspiração! É cada aparição...
Ora surge na minha janela, imensa e amarela. Pintada para a noite. Bela donzela!
Ora é filete de unha que aparece quando entardece. Fina e magrela. Corta e fere em tempos de solidão. Minguando com meu coração.
Outras vezes é novinha. Branca. Redondinha. Lua cheia! De luz e magia. Lua das musas e fadas madrinhas. Protagonista eterna da noite. Enfeite natural no horizonte!
São infinitas as luas... Lua dos amantes. Das cartas de tarô. Lua de São Jorge e do teatro Nô. Lua pequena e distante. Lua vermelha de sangue. Lua dos morcegos, em noite de nevoeiros... Lua que surge na fumaça. Companheira solitária dos que vagam na praça...
Lua do sertão. Lua do rastro no mar. Lua de Ushuaia e do deserto de Madagascar! Lua da praia. Da gandaia... E dos loucos como ela, a girar.
Mas a lua mais marcante que vi nascer foi lá em Paraty. Para mim e para todos ali.
Vi do alto da ponte. Sobre o rio que separa o Centro histórico da cidade. Nem parecia verdade. Impavidamente se erguia, deixando uma luz guia. Rastro dourando as águas escuras... Os escravos fantasmas e suas amarguras. Visitantes. E barcos a descansar...
Com tanta luz a nos presentear, deu vontade de aplaudir. Talvez, de chorar.  
Ah... mas é doida essa lua, sim! A lua dos homens e do lobisomen. Que faz dormir as crianças e acordar os poetas... Lua vista de fenestra. Aquela que bóia e flutua!
Pois que depois de tantas aventuras, a lua ainda anda, nas noites frias,
completamente nua!
Doidivana  lua!   
 
*                    *                           *                           *                        *

SIGA O NOSSO BLOGUE E CONCORRA A UM LIVRO INFANTIL DE PRESENTE!
É SÓ CLICAR EM SEGUIR + ( FOLLOWERS), NO CANTO DIREITO DA PÁGINA
OU DEIXAR SEU E MAIL CADASTRADO PARA RECEBER AS POSTAGENS!
BOA SORTE!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

FAVOR, TIRAR OS SAPATOS...

 
Como é bom tirar os sapatos. Sempre gostei!
Mas certa vez, na casa de amigos, tive que tirá-los para adentrar a casa. Nada de imposição. Apenas uma sugestão do casal. Possivelmente um hábito da família...
Confesso que não estava preparada. Não eram japoneses, nem nada. Pensei nas pessoas que poderiam ficar constrangidas em ter que tirar seus sapatos... Estariam sujos ou mal cheirosos, por acaso?  E se as meias não estivessem limpas?  Furadas, talvez?  
Não tive nenhum dos problemas e acabei tirando sem muito pesar... Percebi na verdade, um ar de conforto e intimidade. Com mais um fofo detalhe: sentada no chão entre pufs, almofadas e chás da tarde. Meus amigos gostavam assim. E com amigo a gente não discute!  
Quanto a mim, continuo achando bom ver as pessoas tirarem os seus sapatos... Eu sempre tiro para pisar na grama ou na areia da praia. É feito fio terra. Tudo descarrega!
Como a moça elegante no fim da festa... Com seu vestido preto, de fenda, que começa a cambalear pra lá e pra cá. É bom vê-la descalçar o salto doze e se acabar na pista feito louca. Descendo da pompa, até o baile terminar... E ela acaba no sambão. Com os pés no chão. É tão bom!
E o que dizer de tirar os sapatos novos, depois de um grande evento ou um longo casamento? Quando o calcanhar lateja, num pulsar de tormento... Que doce momento!
Já tive muitos prazeres iguais a esse...
Mas nada se compara a bailarina que tira as sapatilhas. Pés divinos, mas sempre moídos. Pontinhas em carne viva. Pas de Deux! E de doer! E o jogador de futebol? Que tira as chuteiras, depois do jogo suado? Penso nos incontáveis pisões que deve ter levado!
Tirar os sapatos é muito bom...
Agora mesmo, saí do meu salto alto para escrever mais a vontade.
Mais humilde... Quem sabe, um texto mais belo.
Com os meus pés no chinelo, tão largo... e tão velho!
 
*                               *                               *                                  *
E QUEM GANHOU O LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COSINHA" FOI SUZANNA BORCATTO!!!  SIGA NOSSO BLOGUE E CONCORRA A MAIS UM LIVRO EM AGOSTO. CLIQUE EM SEGUIR GOOGLE+ FOLLOWERS OU DEIXE SEU E MAIL! BOA SORTE!!!
 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

ALMA SALGADA

 
Sempre desconfiei que Dorival Caymi e Jorge Amado fossem a mesma pessoa...
Talvez um plano misterioso, arquitetado pela única e gigantesca família baiana. Um segredo envolvendo toda a mídia... Ou ainda, uma teoria conspiratória sem sentido qualquer. Só para nos iludir!
O fato é que aqueles cabelos branquinhos... A fala baiana arrastada... O eterno canto pro mar... Trazem no picaré da nossa memória e na rede sonolenta que os embalava, uma dúvida que feito onda, vai e vem no nosso pensamento: eram um? Ou eram dois?  Pensemos nisso depois...
Acontece que eram baianos. E acontece que nem todo mundo é! Mas o que é que tem? Se o mar é pra todos os peixes e ele nos encanta também?  Pois quem ama o mar não enjoa e não se cansa de olhar. O mar é beleza viva. Refúgio de alma antiga. Quadro líquido. Hipnótico e denso. Nele viajo. E me deixo levar...
Nesse momento, sou também da família do mar! Nem Caymi, nem Amado. Nem soteropolitano arrastado. Se tanto, poetinha caiçara, docemente adotada. Alma salgada!
Que nos versos viaja e às vezes naufraga... E na maresia se inspira. Mistura de peixe com poesia. Odor marinado! Que invade as narinas e as marinas. Impregnando o ar e o cais. Criando uma total mar- dependência.
Vício. Sem fumaça. Sem cigarro. Nem cachaça!
É puro mar salgado nas veias.
E é bonito, é bonito... Demais!
 
*                         *                              *                         *                       *
TEM MAIS UM LIVRO "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" DE PRESENTE NESTE MÊS DE JULHO! PARA CONCORRER, SIGA ESTE BLOGUE,CLICANDO EM SEGUIR + (FOLLOWERS) OU DEIXEW SEU E MAIL PARA RECEBER AS POSTAGENS!!!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

NÃO PERGUNTE... COMA!


Physallis. Linda. Cor de laranja, redondinha...
Foi a fruta exótica que escolhi para experimentar esta semana.
Tenho tido este tipo de vontade ultimamente... Descobrir novos sabores. Novas notas. Paladares diferentes. Nada de vida insossa. Nunca mais!
Acho que foi por isso que gostei tanto da minha recente estada num Hotel no Espírito Santo que tinha, nos fundos, uma imensa árvore de seriguela. Caiam no chão de tão maduras. Vermelhas. Doces e agrestes. Eu me fartava antes e depois dos passeios...
Mas não são só as frutas. Gosto de experimentar outras comidas, nem tão leves e deliciosas como os physallis e as seriguelas. Na nossa visita ao Uruguai, pedi ao amigo “Reyes” que nos levasse para comer algo bem típico e exótico de seu país.
Ele não teve dúvidas: mercado central. Começamos muito bem a degustação com um drink chamado medio y medio, coquetel que mistura vinho branco com espumante. Depois uma bela lasca de provolone torrado na chapa. A seguir, veio a experiência inesquecível. Pedaços de carne de boi e cordeiro embrulhados em papel alumínio.
Quando eu estava prestes a perguntar o que era cada um deles, Reyes disse a frase que recordo até hoje:  "No pregunte! Coma!" E assim, fui abrindo e experimentando aqueles pedaços de carne, com cheiros e sabores fortes e desconhecidos. Sensação difícil de traduzir...
No final do almoço, empanturrados, Reyes, com toda a calma uruguaia, explicou que se tratava de uma “parrillada”. Típica. Legítima! E que eu havia experimentado coisas tipo linguiça de sangue de boi, cérebro, rins, glândulas e intestino delgado!
Entendi naquela hora o porque da frase:  No pregunte! Coma!  
Aos mais receosos, no entanto, recomendo sem medo, os Phisallis!
 
              *                              *                           *                         *
SIGA NOSSO BLOGUE E CONCORRA AO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" NESTE MÊS DE JULHO!  CLIQUE EM SEGUIR + (followers) OU DEIXE            SEU EMAIL. BOA SORTE!
 

sábado, 8 de julho de 2017

DEPOIS DO JOGO

 
Lembro da bola saindo das minhas mãos. Redonda. Na altura certa para ser tocada sobre o bloqueio e morrer suavemente na quadra adversária...
Último ponto. O golpe fatal! E o ginásio veio abaixo... A Comunicação vencia pela primeira vez um campeonato. E em cima da poderosa Educação Física! Justo a Comunicação... reconhecida mais pelo talento dos seus nerds escritores do que esportistas de destaque.
Mas foi. E depois da vitória épica, o vestiário em festa das meninas. Entre gritos, sutiãs e calcinhas. Jatos de água, vozes estridentes e gargalhadas. Ah, as meninas... felizes, assanhadas...
Naquele momento, num canto qualquer e sozinha, as lembranças chegavam ponto a ponto, agora de mansinho... Os treinos suados. As manhãs, perdidas, de sábados. Meus vinte anos de paixão, músculos e explosão. Todos aqueles registros gritavam em silêncio no meu peito, em plena algazarra da multidão.
Mais tarde, a festa e os cumprimentos. A medalha dourada, no peito. E por fim, a hora de voltar... Mas não daquele jeito! O suor grudado, ainda quente. Os lances cortantes, na mente.  E aquele gosto da conquista, retumbante e tênue...
Uma volta com meu carro pela orla foi suficiente para baixar a adrenalina e acalmar a febre da vitória... E é bem assim. Fim do jogo. Fim da noite, fim da história!
Chego em casa com a medalha e o cansaço que me resta...  Minha mãe há tempos descansava, em sono profundo e gostoso. Não menos vitorioso. De quem arrumou a casa e fez comida. Sem medalha, nem torcida.
Acordei-a com um beijo e um sorriso de meiguice: - Campeã, mãe! Eu não disse? - Que bom minha filha! Amanhã você conta tim tim por tim tim... 
E assim... vesti o meu pijama de todos os dias e fui deitar. Com todo o orgulho. E toda a solidão que, depois, acompanha o campeão!  
 
*                                 *                             *                               *                      
SIGA NOSSO BLOGUE!!! CLIQUE EM GOOGLE + ( followers) NO LADO DIREITO DA PÁGINA OU DEIXE SEU E MAIL PARA RECEBER AS POSTAGENS SEMANAIS. NO FINAL DE JULHO , TEM MAIS UM
LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" DE PRESENTE! 
BOA SORTE!

quarta-feira, 28 de junho de 2017

FECHA ESSA TAMPA!


Nunca gostei de fechar nada. Tampas, portas, gavetas, canetas...
E durante muito tempo, fiquei procurando uma justificativa para esse real desmazelo!  Penso que acabei encontrando... Não gosto de coisas encerradas. Finalizadas e trancadas! Armários. Cadeados. Muros entre as casas... Elas me trazem a idéia de aprisionamento. Sufoco.
Sempre, em meus melhores sonhos, imagino lugares amplos. Ambientes claros e abertos que interagem. E com muito sol, de preferência!
A idéia do espaço largo me agrada. Mas não que eu não tenha culpa em não fechar as coisas. Realmente não sou boa nesse quesito. Canetas, por exemplo... Eu não só as deixo abertas, como promovo uma verdadeira dança com elas. A minha vai parar na mesa do amigo, a do amigo vai para outra sala e por assim vai...
E as tampinhas?  Nunca sei onde deixei... Mas que tirei, tirei.  Mea culpa, confesso!    E sofro por isso. Imagina a quantidade de vezes que tive que ouvir:  Fecha essa tampa!  E eu vou lá, quietinha, resignada e fecho. Mas não gosto, não... Imagina, então, a sensação de fechar um bar? Fechar uma festa?... nem pensar!
Gosto de partir antes de acabar. E pensar que a festa vai continuar... Ah, o inacabado, como é livre e reticente...
Acho que é por isso que escolhi morar de frente pro mar, bem na garganta de São Vicente que desemboca no mar aberto... Quando a vida apertar, sempre vou ter uma saída!  
E assim, nessa mesma toada, a reencarnação me cai bem. Nada de acabar por aqui. E ponto final. Voltar várias vezes seria perfeito! Viver novas experiências. Outros personagens de mim, em mim mesma. E depois, sim, morrer. Por que não? Sabendo que vou voltar!
Ah.. mas por favor, na hora do caixão... não fecha a tampa !!!
 
*                      *                       *                        *                    *
  SIGA NOSSO BLOGUE E CONCORRA A UM "LIVRO INFANTIL"
  DEIXE SEU E MAIL CADASTRADO OU CLIQUE EM GOOGLE + NO CANTO DIREITO
  DA PÁGINA!   BOA SORTE!
 

quinta-feira, 22 de junho de 2017

RESENHA DO MÊS: MUITO ALÉM DE NOSSAS VIDAS

                 E tudo começou no cemitério...
Escolher um livro para ler e resenhar, tendo apenas uma capa e poucas linhas de apresentação, despertam em mim a mesma sensação de criança, entrando em loja de brinquedos. Um parece mais atraente. Outro, mais complexo. O menor, divertido. E o maior, o que esconde lá dentro?...
Confesso que foi a mistura nada convencional de espiritismo, moda, política, relatos da vida e auto ajuda, que me levaram a escolher “Muito além de nossas vidas” para ter na cabeceira da cama por alguns dias. E é eclético mesmo. Um coquetel de assuntos diferentes. Seria possível um livro assim?
Começa com um fato verídico. Que aconteceu na década de oitenta, dentro do cemitério mais famoso de Paris, o Père La Chaise, que tinha sido, anteriormente, uma chácara de Jesuitas. Bom começo para elocubrações a respeito de vida e da morte. A partir daí, muitas coisas acontecem... Na procura, a princípio ingênua, pelo túmulo de Allan Kardec, junto com uma amiga de trabalho, ocorre o misterioso encontro com um desconhecido que passa a contar fatos de suas vidas. Tanto do passado, quanto do futuro. O jovem homem prevê entre outras coisas, novos relacionamentos, fatos e rumos profissionais.
Esse encontro mexe demais com as personagens, permeando todo o livro.“... Era realmente assustador... estávamos dentro de um cemitério falando com um estranho...que era espírita e vidente...”
A leitura se torna ainda mais agradável pelas fotos que ilustram todo o contexto. Imagens das alamedas do cemitério e os túmulos de personagens famosos como Chopin, Oscar Wilde, Jim Morrison, Bizet, Piaf... são guias fascinantes que facilitam a viagem pelo livro.
A autora também relata fatos interessantes e verídicos dos anos 70 e 80, com políticos como Laudo Natel, Delfim Neto, Jânio Quadros ,entre outros, com quem Ana Maria teve contato na época do seu primeiro casamento com um jornalista de destaque. O livro traz relatos de casos nunca antes escritos e fotos incríveis como a do incêndio no Palácio de Campos Elíseos que diziam ser assombrado por fantasmas...“Se é verdade ou mentira eu não sei , mas que ouvi, ouvi e tinha medo.”
A moda também aparece no desenrolar... Na famosa M. Courrèges, aonde a autora trabalhava periodicamente, em São Paulo e Paris. E onde tudo era chique e muito claro“...tudo branco, desde o piso até os móveis..”.
Assim o livro vai seguindo, recheado de novos acontecimentos, casamentos, reparações e um balanço final das premonições do tal vidente do cemitério... Segue também a auto ajuda, que parece ser um gosto pessoal da autora e está presente em várias partes do livro...
Sem grandes questionamentos, mesmo no que tange à espiritualidade, os assuntos aparecem e interagem de forma leve, sem grandes aprofundamentos. Seu jeito de contar é simples e fácil. Mas prende a atenção.
Vale experimentar esse coquetel!
 
Título:  Muito além de nossas vidas
Autor: Ana Maria Heynen
Data de publicação: março/2016
Páginas: 290
Coleção Passos Perdidos
 *                  *                     *                   *                    *                
QUER GANHAR O LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COSIINHA"?

SIGA O NOSSO BLOG, CLICANDO EM GOOGLE+ (SEGUIR) DO LADO DIREITO DA PÁGINA OU CADASTRE SEU E MAIL!  E BOA SORTE!  SORTEIO FINAL DE JULHO!
                    

quarta-feira, 21 de junho de 2017

LÁ NO JACARÉ

São duas as Biritibas. E não muito distantes de Mogi das Cruzes. Uma é a Mirim e a outra é a Ussú. Só isso já bastava para tornar curiosa a nossa visita à cidade que ficava há uns 30 quilômetros do sítio onde eu descansava o final de semana: Biritiba Mirim! Doce, rústica e pacata...
Quando a noite começou a cair no meio da mata e o som das cigarras trazia um certo ar de melancolia e solidão, decidimos procurar algo mais alegre na cidade grande. Que não era tão grande assim... Mas era sábado!  Alguma coisa devia acontecer por lá...
Meia hora de carro e avistamos, do lado direito da estrada, uma grande construção. Um tipo de armazém enorme, onde mais tarde soubemos que era a Lobo’s, a maior discoteca do pedaço, agora desativada. Sem problemas. Não era mesmo o que a gente tinha em mente.
Seguimos na pista e do lado esquerdo, avistamos um posto de gasolina, bem iluminado e uma subida que ia dar no centro de Biritiba. Devia ter outra entrada, talvez com um portal mais atraente, mas chegamos pelos fundos mesmo. A rua do comércio estava toda apagada. Eram lojinhas de roupa, materiais de construção, de ração para animais...
Aberta mesmo, só uma pizzaria que parecia familiar. No final da rua, a praça da Igreja. Agora sim, Biritiba fervia! Paramos o carro atrás de alguns cavalos amarrados nos postes. Seus donos estavam em pequenos grupos, na frente de dois ou três bares e padarias, conversando ao som da música sertaneja. A maioria de bota, chapéu e cinto de cowboy.
Eram jovens, muitos deles com rostos vermelhos de quem toma sol com poeira todos os dias nos campos e na roça. Tomavam também cervejas, energéticos e pinga do alambique. No meio deles, encontrei o Edú, caseiro do sítio e lancei a pergunta : o que se faz de bom por aqui, nesta noite?  E no seu caipirês, autêntico, ele respondeu:  “nóis tá só esquentando, depois vai tudo pro Jacaré!”
Pegamos o carro, estacionado atrás de três sonolentos cavalos e seguimos em direção a saída da cidade. A casa era velha e simples. Tinha dois andares. Toda pintada de preto com uma luz verde na janela de cima. Saia fumaça e calor. No alto, a placa: Forró do Jacaré! 
Nossa curiosidade parou por ali...  No dia seguinte, o galo e as galinhas do sítio iriam nos acordar bem cedinho, com outros planos.
Mas fica a lembrança... da não tão ingênua e pacata, Biritiba!

*                             *                               *                              *           
                                 

SIGA O NOSO BLOGUE E CONCORRA A UM LIVRO INFANTIL NO FINAL DE JUNHO!
BASTA CLICAR EM GOOGLE + ( SEGUIR) NO LADO DIREITO DA PÁGINA OU DEIXAR SEU E  MAIL!! E BOA SORTE!

 

 

 

 
 
  
 *                             *                              *                              *            
 

quarta-feira, 14 de junho de 2017

CHUVA, PARA!

 
Certa vez, me ensinaram uma cantiga. Era só cantar, para a chuva parar!
E eu repetia baixinho: - Para chuva, para! Para chuva, para! Até que ela fosse lentamente cessando e eu, com meu pequeno canto, seguia assim dominando a natureza! Hoje não canto mais esse mantra mágico, que eu detinha em meu poder e não contava pra ninguém. Mas a minha relação com a chuva continua curiosa...
Um misto de tristeza e louvação! É nos dias de inverno, frios e cinzentos, de chuvinha miúda e contínua que minha alma se encolhe! Não faço bem o café, nem um samba triste, sequer. A melancolia insiste e o poeta em mim se molha também. Tudo adio. Nada termino! Espero a chuva passar... Mas sei que as sementes explodem de tão contentes que minha alma, naturalmente, sorri outra vez!
Já a chuva de verão é a que mais gosto. Aquela que vem curta e grossa. Com seus patacões quentes e esparsos. Que estouram na calçada e no asfalto, refrescando o abafo. E depois, quando ela vai embora, traz de volta o céu azul. O sol vem brilhar. Um arco-íris, coroar! 
Mas teve um dia, lá atrás, que não consegui fazer a chuva parar...
Estava cantando na janela e a chuva arredia, quase a se deixar dominar, quando meu irmão mais velho, só pra sacanear, destruindo o velho mantra, começou a cantar...- Vem chuva, vem! Vem chuva, vem!... 
Pois não é que a chuva voltou? Forte e intensa. Com gotas de desavença. Pingos de indignação! Que ato mais traiçoeiro. Briguei e chorei o dia inteiro...
E foram os primeiros raios e trovões, entre dois pequenos e amáveis irmãos! 
  
 *                                 *                               *                                      *
  QUE TAL GANHAR O LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA" ?
  SIGA O BLOG CLICANDO NO GOOGLE+ , OU DEIXE SEU E MAIL  NO CAMPO

  AO LADO DA PÁGINA... E BOA SORTE!!!
 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

QUEM VEM LÁ? ROUBANDO A CENA...


Há um quê de magia na cidade vazia... Nas últimas horas da madrugada, que antecedem a luz do dia.
Há um quê de vazio. Não de solidão. Sempre imagino que personagem será o primeiro a invadir a cena... Um coletor de lixo? Um cachorro magro? O dono da banca de Jornal? ...mas já não se levanta cedo para ler jornais... e quase não lemos mais jornais!
A Cidade continua vazia e a minha mente se perde em pensamentos. Em pouco tempo, haverá gente vindo de vários lugares, plugadas em seus mundos particulares. Levar o filho na escola. Chegar cedo no trabalho.  Procurar emprego na fila sem fim...
Apenas pensamento. A Cidade continua vazia. Com o seu quê de magia....
Como seria bonito, ver alguém solitário e aflito, caminhando na rua com o coração partido, desiludido, sofrendo por alguém... A dor iria se soltando em cada passo. Ecoando triste, no compasso, na calçada e no coração... Tudo isso acompanhado da melodia de uma triste canção. Imagino o tom e o refrão...  
Ou quem sabe, um carrinheiro, sem dinheiro, carregando peças antigas e uma cachorra suja e amiga. Elo singelo. E belo!
Mas não. Ninguém entrou em cena. A Cidade continuou vazia. Erma.
E foi lá pelas 6 da manhã, na contra mão da via, que apareceu  uma menina, virando a esquina. Entrou correndo, tropeçando, sem jeito, nem encanto. Quebrando a magia. Levando toda a poesia... Com seu tênis cor de prata e bermuda rosa choque!  
Em choque, a cidade nua e vazia, derramando poesia,
                                                      ficou para um outro dia... 


                                                         
                                                                               foto: gentilmente cedida por Emílio Pechini


*                          *                            *                               *                             *


QUER GANHAR O LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA"?  SIGA O BLOGUE CLICANDO G+ , OU DEIXE SEU EMAIL....
                                   BOA SORTE!!! 









 

terça-feira, 30 de maio de 2017

ANTES DE LEVANTAR...

 
Mudos. Alguns permanecem no mesmo lugar, há décadas...
Tomam sol, tomam chuva. Só a paisagem é que muda. Eles continuam calados. Mas tenho lá minhas dúvidas, se não ouvem tudo que se passa. Pobres bancos das ruas e das praças! Como deve ser torturante...
Milhares de pessoas se sentam, conversam e se deitam em seus acolhedores assentos. Imagino as centenas de conversas truncadas e sem desfecho.  Papos interessantes que dão cabo com frases curtas e cortantes:  - Olha lá o ônibus! Vamos? E o banco, coitado, sem nada concluído, vê de longe, os recém amigos, partindo.  
Os bancos são referência. Os bancos são abrigo. Dos velhos cansados. Dos aflitos. Dos amantes. Dos solitários e esquecidos... Os bancos ouvem toda essa gente. Ouvem a crente e sua novena. Ouvem a intriga da loira com a morena. Ouvem os lamentos das viúvas. Pais e filhos com suas dúvidas. Senhoras e seus cãezinhos. Mendigos e pivetinhos. Tudo com tempo determinado. E nenhum assunto findado.  
O que dizer das  cozinheiras que trocam receitas inteiras e na hora de contar o segredo, falam baixinho... -Vamos andando, que eu te conto no caminho!  Ninguém pensa no pobre banco. Que ganha rabiscos, mais que carinhos!  
No entanto, o que mais deve incomodar aos sábios assentos, são os casais briguentos que nele se encontram e se sentam. Ah, se pudessem dizer que isso tudo é uma grande bobagem, e que os dois, mais tarde, voltarão ao banco e quem sabe, se sentarão sozinhos e cansados, procurando o amor do passado. Era melhor que tivessem ocupados com beijos e abraços, sexo e embaraço.
Mas não!  No seu silêncio sepulcral, os bancos não dão conselhos, nem sabem o final... Mas tenho certeza que eles ouvem!
E se pudessem falar... sairiam correndo atrás de quem saiu andando e pediriam suplicando: Conta pra mim? Pelo menos uma vez....o fim!
 
*                         *                          *                              *                         *

                   AGRADEÇO A TODOS OS LEITORES, A MARCA DE 30 MIL
                                             VISUALIZAÇÕES
                   ALCANÇADA PELO BLOGUE!! MUITO OBRIGADA!!!

                   E O GANHADOR DO LIVRO INFANTIL "ERA UMA VEZ UMA COISINHA"
                   FOI........... GIL MENIN!!!