quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O SABOR DE CERTAS COISAS...

            Brasileiro não gosta de café. A gente, simplesmente, não vive sem café!
            Só não sentimos o tamanho da dependência porque temos café por todos os lados.
            Café no escritório. No banco. Em casa, na cafeteira. E em qualquer boteco
            ou bar da vizinhança. É só cruzar uma esquina.
            Mas é quando a gente sai do Brasil que sente, na garganta e na alma, a tal da
            abstinência.
            Bastam três dias sem o líquido e percebemos que falta algo entre os compromissos.
            Falta algo entre as conversas e os amigos. Falta algo no meio da noite para
            acompanhar a lua e a poesia que chegam com a madrugada ...
            E essa ausência, foi duramente sentida, na nossa visita à Disney.
            Com direito a todo aquele mundo quase perfeito de Mickey, Pateta, Cinderela
            e magia.
            Depois do longo e extenuante dia imitando criança... Andando por castelos e comendo
            hot dogs, doces e pipocas ... Depois das bolhas nos pés, dores nas costas e o coração
            alegre ... Faltava o cafezinho!
            Mas não tinha cafezinho.
            Nos belos restaurantes, nas lanchonetes, foodtrucks ...
            Nada de café.
            A coisa foi ficando angustiante. A imagem de um café fumegante, cada vez
            mais presente na nossa imaginação e olha que servia qualquer tipo de café...
            Descafeinado, como os americanos preferem. Meio frio, quase sem aroma.
            Ou aquele forte, tinta preta, que não dá nem pra engolir... Servia qualquer um.
            Só fomos achar, depois das sete da noite, quando o parque estava quase fechando.
            Pedimos duas xícaras bem grandes, enquanto estouravam os fogos da parada que
            se encerrava e que ecoavam fortemente em nossas almas, agora revigoradas...
            Depois do tão desejado café, voltamos para ver o musical de encerramento.
            Era noite fria. Restaram poucas pessoas para ver. Umas duzentas, mais ou menos.
            Mas depois daquela pausa reconfortante, valia qualquer show.
            Até da banda do exército americano! Mas não.
            Era o show do B52's, com direito a Legal Tender, Flintstones, cabelos coloridos
            e a atmosfera congelada nos anos 80. Para poucos gatos pingados...
            Tal qual o cafezinho, saboreamos gota a gota, até o final.
            Foi mágico! 
            Acho que brasileiros, degustam melhor o sabor de certas coisas...


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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

RESENHA DO MÊS... CRÔNICAS BOLEIRAS

                   É gol! De letra...
                   De Bico... Bicudo!

Imagine alguém louco por futebol. Agora, multiplique esse sentimento pelos mil gols do Pelé, mais as pedaladas do Robinho, as fintas do Neymar e potencialize tudo isso com a força de canhão do pé esquerdo do Pepe!

É mais ou menos esse o tamanho da paixão, santista,  desmedida e tresloucada, do autor Chico Bicudo, um professor apaixonado pela redonda e todo o universo mágico que envolve o futebol. Paixão que vem de cedo...

 ... desde antes de eu nascer. Dos chutes de primeira na barriga da mãe...”
 
E essa louca paixão foi passando para os filhos, Luiza e Daniel, fiéis companheiros de aventura, seja nas arquibancadas ou mesmo em casa, nos dias de glória... ou nas doloridas derrotas...

um silêncio que dava inveja a budistas em estado de meditação...”
 
“Crônicas Boleiras” conta a história de jogos inesquecíveis, de forma divertida e passional,
com temperos de família, subidas e descidas de serra, corneta sobre jogadores, mandingas e superstições...

“Quando a coisa aperta...-um zero a zero cascudo- fico de pé na ponta esquerda, imóvel, braços cruzados...”
ou
“Vale usar a mesma roupa durante 38 rodadas do campeonato...”

 
Relata também com detalhes, o antes, durante e o depois de partidas épicas, como o 5x2 do Santos contra o Fluminense... o jogo das pedaladas do Robinho na vitória sobre o Corinthians, em 2002, e a final da libertadores contra o Peñarol, em 2011...

Mas para os olhos do autor, a emoção dos grandes clássicos, às vezes, tem o mesmo sabor que uma simples vitória sobre o Figueirense...

 “ Um quase amistoso que não valia nada. Quem disse? Para os três pequenos foi um clássico, mágico!”
 
O Texto do Chico é eclético.
Nos emociona, com as jornadas saudosas do seu avô. Nos diverte, com os clichês do mundo da bola e com a época das vacas magras do Peixe.
E reforça, com forte e legítimo desabafo, o desgosto daquele inesquecível 7 X 1 da Alemanha!

  “É que é... futebol...”  diz o Chico,
   “No futebol, vísceras cantam e batucam mais alto
    que neurônios...”

E é assim mesmo.
Quem diria... O destino me reservou mais essa!
Resenhar o livro de um fanático santista...
Visceral e passional.
É o Santos Futebol Clube cruzando a minha vida, mais uma vez...
Em 2011 fui responsável pela idealização e implantação do “Futebol na Tri”, na rádio Tribuna FM, emissora do Grupo A Tribuna de Santos.

Ela foi a primeira rádio FM na Baixada Santista a transmitir os jogos do Santos, com equipe própria, que contava com grandes narradores e feras, entre eles, o goleiro Zetti, Serginho Chulapa , Clodoaldo... nos comentários.

Dei sorte! O Santos foi campeão da Libertadores daquele ano. Sorte nada, diria Bicudo... “um privilégio que nem todos”... Bem , o final vocês já sabem...

Confesso, que para uma corintiana, fanática, como eu, foi um exercício de despreendimento do qual muito me orgulho.

É assim que tem que ser, ou deveria ser...
Como nos velhos e bons tempos do respeito e da cordialidade.
Adversários, sempre. Inimigos, jamais!

Recomendo o “Crônicas Boleiras” a todos os amantes do futebol.
Aqueles que hoje sentem falta das torcidas juntas nos estádios, cantando seus hinos. Do tremular das bandeiras nas arquibancadas. De vestir a camisa do time sem ser espancado na saída do estádio... E de tantas coisas boas que se tornaram impossíveis e proibitivas por causa da violência desenfreada e da falta de medidas punitivas.

Recomendo o livro, em especial, aos grandes amigos torcedores do alvinegro da Vila Belmiro que cantam aos quatro cantos...

“... nascer, viver e no Santos morrer,
 é um orgulho que nem todos podem ter”...

Crônicas Boleiras, Um belo gol!  De letra.
Ou melhor, de Bico... Corre pra galera, Chico Bicudo!

 

 
CRÔNICAS BOLEIRAS

 
Autor: Chico Bicudo

Data de publicação: abril/2016

Número de páginas: 183

Coleção: Passos Perdidos

Gênero: Crônicas

 CHIADO EDITORA

 


 

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

FALA AÍ, MEU VELHO!

        Gosto demais da surpresa! Sensação de não saber o que vem adiante.
        No caminho, na vida, no rádio...
        Às vezes, é uma música que faz lembrar um lugar. Uma época. Uma pessoa...
        Às vezes, é aquela que toca no momento errado. Ou certo.
        Ou ainda, aquela que arrebata. E nos leva pro alto. Pra cima. Pra dentro.
        Acho que tem a ver com minha infância e as descobertas mágicas. Quando eu levava
        o velho rádio de pilha para o meu quarto e antes de dormir, sintonizava as ondas curtas
        que iam e vinham, produzindo um chiado enigmático e que traziam à tona, sons de
        países distantes...
       
        Era meio subversivo sintonizar uma rádio de Berlim ou de Moscou, no meio da
        madrugada. Época onde a simples idéia de contato com países comunistas já tocava
        medo na gente.
        Eu ficava no quarto, deitada na cama, imaginando o que viria a seguir...
        Notícias da Áustria. Músicas do Japão. Folclore da Alemanha. Ou jogos de futebol
        dos times do Rio de Janeiro. Eu ouvia e sentia todos aqueles universos.
        Eu ouvia o mundo...
       
        Era fantástico! E difícil de entender...
        Som sujo, embolado. Dependia das condições do tempo.
        E a cada noite, uma surpresa.
        Hoje, na rede, com aplicativos e playlists mastigados, a vida tornou-se, e eu tornei-me,
        previsível. Ouço apenas o que quero. Minimizo. Verticalizo. Prejuízo...
        Aquela velha surpresa? Ainda me move. E comove!
        Por isso o rádio continua por perto. No carro. Na sala. No quarto. Pronto para ser
        acionado. Your song... Vento no litoral... Vilarejo... ou aquela que eu vou tirar assim
        que começar... Não importa. Gosto da incerteza da surpresa. 
       
        E aquele velho rádio de pilha, de metal e botões prateados, sintonia antiga da minha
        alma, vai continuar lá, guardado. Bem no canto.
        No canto nobre do meu coração!

 

 


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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A PONTE PENSIL... NÃO É A GOLDEN GATE!

                                                   foto: reprodução Facebook após reparo do erro

          Erraram na foto. Para mais? Ou para menos? Erraram feio.
          Ao invés da Ponte Pensil, o jornalista distraído, trocou a figura
          e colocou  no face da Prefeitura, a foto da Golden Gate!
          Mas como é diferente...
          A Golden Gate não tem moleques que pulam lisos, com esperteza,
          no mar vicentino, mar de tantas incertezas...
          A Golden Gate não tem no sopé, encravada, a casa das bananadas.
          Não tem, do lado de lá, junto às filas de carros que andam feito
          serpentes, ambulantes, velhos, crianças e deficientes. Sub emprego.
          Sob o sol escaldante. Ou entregues às noites frias, cortantes...
          Também não tem, mais adiante no Japuí, as Marinas e seus ricos iates,
          ao lado de casinhas pobres, de pescadores com seus barquinhos de
          pequeno porte. Não, a Ponte Pênsil não é a Golden Gate.
          Muito menos São Francisco, São Vicente.
          A Ponte Pênsil é a cara do Brasil e suas implacáveis diferenças.
          É a cara do Brasil com todas as suas mazelas...
          Mas ainda assim, consegue ser bela! E como diria um certo Pessoa,
          não é a ponte que passa sobre o Tejo...
          É mais bela, porque é a ponte do mar da minha terra!
          Rústica e castigada, como a pele e os olhos dos meninos que dela pulam
          sem medo e sem porquês.
          A ponte pênsil tem veias de aço e madeira que balança.
         Tanto me alegrava, quando passava, quando criança,
         e que agora balança e aperta tão forte
         o meu coração!


*                         *                          *                           *                        *                       *

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

DOCE PECADO!

     
Meus dois irmãos estudaram em colégio de padres. Maristas. Um dos melhores de São Paulo, o Carmo. E duas ou três vezes por ano, em ocasiões especiais e no final dos ciclos, eu, criança ainda, visitava o colégio. Era mágico e amedrontador entrar naquele prédio, antigo e bem conservado, de grandes colunas e portas maciças e ver aqueles padres de batina preta, cruzando os andares com semblante austero e poucas palavras.
 
Eram todos assim. Menos um. O Irmão Martinez! Toda vez que me via, ele colocava a mão no bolso da batina e voltava com um punhado de balinhas de hortelã... Depois, com o dedo frente a boca, pedia  meu silêncio e nossa cumplicidade. O segredo ficava entre nós. Não sei direito que aula dava o irmão Martinez. Sei que o ensino do Carmo era conceituado. As aulas de exatas e ciências, fortíssimas. Também incentivavam a música e a arte.
 
Todo fim de ano tinha uma peça teatral. Criada e interpretada pelos alunos, que em geral, escolhiam uma comédia e rezavam para passar pela censura dos padres...No dia da apresentação, na primeira fila, os irmãos de batina preta assistiam com orgulho e atenção. Dava um pouco de medo imaginar que pudessem não gostar de alguma piada... Nas fileiras logo atrás, amigos, familiares e eu, que não entendia quase nada do que se passava. Mas quando já estava ficando cansada, vinha o irmão Martinez...
 
Sentava do meu lado e tirava do bolso da batina, as balinhas de hortelã! Tudo ficava mais doce e o meu medo de padres, ia logo embora...
Meu irmão contou, certa vez, que também sentiu medo de falar com um padre e que por isso chegou a pagar um pecado que não cometeu.
 
Foi na missa do mês. Ia se confessar com o Padre Pedro. E com ele não tinha balinha, nem meia balinha! Como não tinha feito nada errado, meu irmão inventou um pecado. Pecadinho. Bem levinho. Só pra não ficar chato!

Depois, voltou crédulo e feliz com sua doce pena de sete! Sete Ave Marias! Ave Maria...



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