quarta-feira, 26 de abril de 2017

FOI UM... AVC!

 
São sete. Sete veias! Cortando a cidade e dando no mar...
Não entenderia Santos sem os seus canais. Linha de orientação.
Saída de emergência! Muretas, cimento e água. Desenho e história
secular! Quantas imagens marcaram os canais na nossa memória...
Meninos sentados com suas mochilas, saindo da escola...
Pescadores amadores catando lebistes. Cães estabanados resgatados
depois de seus deslizes. Carros que tombaram... Namorados que se
encontraram e ali se amassaram... Jambolões no chão, roxos e pisoteados
por todos os lados.  E mendigos deitados na beirada, comendo comida
requentada. Cenas de um canal vivo e pulsante. Dura artéria saindo do
coração da cidade para desaguar no mar!
Teve dias de cheia, de transbordo. Dias de espuma amarela, fétida e feia.
Dias de neblina , dias de chuva fina...
Mas nada , nada, foi tão cruel quanto o dia que o canal secou.
Fato isquêmico. Quase letal. Areia grossa na veia... AVC! Acidente vascular no
canal! E veio a equipe salvar... Sem cateter, só trator!  E lá se foi toda a
angústia e a dor!  Sangue de volta às veias. Água de volta ao mar...
Lembro até hoje a sensação seca na garganta.
Fez até Saturnino de Brito arrepiar!
 
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quarta-feira, 19 de abril de 2017

NA HORA DE ABRIR O COFRE...

 
A casa da tia Zilda era um grande museu. Poltronas de veludo desbotado, com o entorno dourado, barroco. Um aparador que ela chamava de Itajér.
Em cima dele, duas garrafas de vidro bico de jaca, na figura de papagaio. Um com menta, outro com Anis. Às vezes, ela me deixava colocar o dedo indicador e degustar o licor. Havia também um tapete de pele de carneiro azul, vasos de murano, italianos, belíssimos.... e quadros, muitos quadros e enfeites antigos.  
Os objetos que eu mais gostava eram um cavalo de ferro com a crina encaracolada e um cofrinho batizado por ela de "barrigudinho”, feito de coco com uma fechadura de ferro no umbigo. Eu adorava tudo aquilo. A Tia Zilda abria o barrigudinho e eu brincava com as moedas, sem me importar se valiam muita ou pouca coisa. 
Não posso esquecer também, o boneco que me despertou tanta atenção e me apresentou pela primeira vez Miguel de Cervantes. Ficava sobre a mesa, um Quixote, de aço! Inspirador...  
E era assim, uma viagem fantástica, percorrer a casa da Tia Zilda e descobrir seus tesouros. Em cada canto, uma riqueza. Um objeto curioso e histórias incríveis...
No final da visita, o sorvete de mamão que ela mesma fazia numa forminha de plástico com um palito no meio. Antes de ir embora, eu corria para dentro do quarto só para olhar o cofre antigo que lá estava e ninguém, nunca, tecia um comentário sequer. O que teria lá dentro? Minha cabeça ousava imaginar. Mapas? Enigmas? Cartas criptografadas? Se a casa já era fantástica, imagine o que ela guardava dentro do velho cofre? Veio o dia da revelação...
Primeiro me disse os números secretos e pediu que eu guardasse segredo. Estremeci. Depois giramos os botões pra um lado e pro outro e clic! A porta se abriu... 
E foi assim, decepcionante! E desapontador... Pelo menos para mim, uma criança de dez anos com uma usina de idéias e imaginação. O cofre só tinha algumas jóias.  
O cofre só tinha... dinheiro!
 
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terça-feira, 18 de abril de 2017

MINAS, CANÇÕES..... E CONTRADIÇÕES




Pra quem não é velho, mas também não é tão jovem assim, fica impossível viajar a Minas,
sem levar na cabeça as canções do Clube da esquina. Segui cantando na mente por toda longa estrada, reta e sonolenta trilha, composta de muitas horas e paisagens na janela ....
Gado, verde, campo, Lô Borges, terra, aço, trem... Ouro Branco, Ouro Preto. Ali cheguei!
Viagem inesquecível... Viagem ao passado... Igrejas, bancos de igreja e suas conspirações.
Cenários de inconfidência e traições. 
Ruas de pedra e minas de ouro. Minas efervescente. Minas da poesia, da fonte dos amores, Marília e Dirceu. E dos santos das igrejas que certamente criam vida todas as noites com seus cabelos de gente... e promessas de amor. 
Minas contraditória. De Tiradentes e Silvério dos Reis. Minas reacionária e Ouro Preto tão linda e anárquica. Minas das famílias e da tradição, Ouro Preto das repúblicas de curtição.
Do sobe e desce das ruas, dos porões e de estudantes nuas..
Dos restaurantes finos com arroz feijão e torresmo. Da cachaça doce. E do pão de queijo, antes, durante e no final. Culinária “i” mortal!
Minas da liberdade, só que não...
Quem sabe, seja ela, o adulto que balança, esperando o menino lhe dar a mão.
E na Janela lateral do meu quarto de dormir, o sino da Igreja tocava todas as tardes...
Vila Rica batia forte no meu coração! 
E no corredor do Hotel, repleto de fantasmas no porão: Tomas Antonio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa com certeza, perambulavam fazendo poesias...
Ao som de Milton, é claro. 
E se foi assim , assim será.
Minas , vou voltar...
A canção sabemos de cor,
                                       só nos resta sonhar... 

 

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quarta-feira, 12 de abril de 2017

QUERIDA, ENCOLHI OS CHOCOLATES!

                                      Disney

Não. Não é impressão. Os chocolates diminuíram! 
Diminuíram vergonhosamente de tamanho. E tornaram-se, maldosamente pequenos... Lembra das barras antigas? Gordinhas?  
Aquele Lingote que vinha com papelão por baixo e um papelzinho de seda? Já era! Agora é uma casquinha magrela! 
Até as moedinhas de chocolate... Eram da lapa de uns cinquenta centavos. Agora, não passam de vinte!
Os bonbons também encolheram. O meu cerejão, virou cerejinha! Sem falar daqueles famosinhos que foram humilhados e cortados impiedosamente pela metade. Que maldade!
Nesta páscoa, só beleza. Ovos lindos e enormes. Mas que leveza! A parede de chocolate cada vez mais fina, lembra parafina. E tem sempre um brinquedinho lá dentro, desviando o foco e dando peso.
Eu sei que a culpa recairá nos coelhos, que estão ameaçando greve! Reclamam do excesso de peso ou que não são obrigados a transportar brinquedos. 
Outros vão por a culpa no Temer, na Dilma, no Aécio, na crise, nos chocalateiros malvados capitalistas, nos cacaueiros sindicalizados do nordeste, na pilantragem brasileira...  Enfim, sei lá!
Acontece que os chocolates diminuíram e ninguém bate panela. Coisas mais terríveis acontecem neste país... e ninguém mais bate panela.
Já decidi! Nesta Páscoa faço diferente.
Vou pegar meu panelão. Gigante. Farei o meu ovão!  Chocolatão... De uns dois quilos! Só para protestar!
 
 
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terça-feira, 11 de abril de 2017

RESENHA DO MÊS: TINHA TUDO PARA CORRER MAL

          ... PARECE QUE DEU CERTO!
Feito uma viagem no tempo!  O livro resgata, de início, aquela atmosfera rústica e romântica dos bastidores do rádio no final dos anos 60, em Portugal...  
O clássico aquário de vidro separando os estúdios de locução e operação. Equipamentos analógicos para gravação.  E no microfone, um “miúdo de voz grave” que chamou a atenção dos amigos pelo timbre adulto, fazendo o seu primeiro teste de locução, aos 14 anos...  Mal sabia o jovem Luís que naquele cenário passaria as próximas noites, tardes e manhãs de sua vida... E mais. Estaria ali, participando do mundo mágico do rádio, com todos seus sonhos despertos. Músicas. Notícias. Encantos e desencantos...
O livro conta como foi sua primeira participação ao vivo no rádio, tendo que ler um texto escrito por outros jovens, sobre quatro cabeludos de Liverpool que começavam a se destacar... 
“... foi sobre o álbum branco“ The Beatles”. Tinha sido lançado em Londres uma semana antes, em novembro de 68... era, na música pop, a obra mais marcante daquela temporada...
E o caminho do jovem locutor estava só começando. Com direito a penosas madrugadas correndo atrás das notícias ou de um simples café confortante.  Juventude. Ousadia. O som dos Beatles... E tudo já começava a correr melhor do que ele poderia imaginar.
Aos 16 anos já estava profissionalizado. Com cartão de locutor e número de funcionário 309 da Emissora Católica. “ ... A fazer o pior horário do mundo: da meia-noite às seis da manhã, dia sim, dia não...”.
Aos 18 anos, foi promovido a noticiarista da Radio Renascença, que vivia um clima de vanguarda e liberdade, com programas  de contestação... “ o que levou a estação a ser vigiada de perto pela censura” . Foi com a saída de alguns renomados locutores, que mesmo jovem e ainda inexperiente, passou a produzir o programa Página 1.  “ ...considerado o melhor da  Rádio Renascença com cunho altamente jornalístico”.
As tensões se acentuaram com a Revolução dos Cravos, em 74. As notícias então, tinham que passar previamente por todos os funcionários. E os jornalistas que boicotaram essa deliberação, foram despedidos. Assim começava um novo caminho para o jornalista...
Passou por jornal e agências de notícias, com viagens à França, Brasil, Reino Unido. A partir de 81, volta para o rádio. Mais maduro, passou a ser chamado de “ impecável e implacável”.
Em 86, a grande virada...
O jornalista percebe que as empresas que movimentavam milhões e faziam negócios com muito êxito não sabiam se comunicar, principalmente com a imprensa...  eu que era apenas jornalista, tinha que me transformar numa espécie de consultor... em paralelo ia recebendo ligações de agências de marketing e serviços..
Aos 31 anos, cansou de ver a sua carreira andar em altos e baixos. Os governos, assim que entravam,  mudavam chefias,  adequando-as aos seus gostos. Luis Paixão Martins decidiu então mudar de vida: de jornalista passou a consultor de comunicação ou assessor de imprensa, criando a LPM.  “ Não eram cocktails, nem  festas. Mas bastidores, dossiês e estudos”.  
Os primeiros projetos foram para grandes marcas. Depois, o universo foi se expandindo para a política, com as candidaturas de Sócrates, em 2005, e a de Cavaco Silva, em 2006, ambas vencedoras. Chegou a ter um clube de futebol na sua carteira de clientes, o Futebol Clube do Porto. Luis Paixão Martins se tornava, então, o mais referenciado consultor de imagem de Portugal.
Destaques... O livro detalha os bastidores do caso de Sócrates, onde teve que lidar com o rumor de que o então líder socialista era homossexual. E no Futebol Clube do Porto, no caso Apito Dourado, onde o desafio foi resgatar a reputação do Clube, arranhada pela ex-namorada do presidente, Carolina Salgado.
Hoje, afastado voluntariamente da LPM, Paixão Martins dedica o seu tempo ao News Museum, em Sintra. E também, com muito fanatismo,  ao seu clube de coração, que não é o clube do Porto, e sim, o Sporting!
Tinha Tudo para Correr Mal - Memórias de Um Comunicador Acidental  (da Chiado Editora) é um partilhar de experiências. Pelo menos, daquilo que pode ser contado pelo criador da “public relations” em Portugal. Uma leitura que vale a pena para aqueles que se interessam pelos bastidores da mídia e a comunicação em geral.  
E se tinha tudo para correr mal... Parece que deu certo!  E tudo começou no rádio , de madrugada, ao som dos Beatles , numa daquelas “ hard day’s nights”!
Título: Tinha tudo para correr mal
Autor: Luís Paixão Martins
Data de publicação: outubro/2015
Páginas: 164
Coleção Bios
Gênero: biografia
 
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quarta-feira, 5 de abril de 2017

CHORANDO NO PIANO...

 
Minha mãe já sabia. Era batata! Bastava um falar mais alto. Ou um olhar daqueles que suspendem uma só sobrancelha e pronto. Lá ia eu com meus cinco ou seis aninhos, de bico e toda emburrada, chorar ao lado do piano.
Era um belo refúgio aquele piano amigo e antigo que ficava no final da sala, e que me abrigava de um jeito acolhedor, do lado da parede onde ninguém podia me ver...  E era sempre a mesma cena. Ia chorar? Corria atrás do piano! 
Os motivos eram tantos... Dos mais sérios aos mais amenos. Uma repreensão boba qualquer... Uma nota baixa na escola. Algo que saiu errado. Ou muitas vezes, uma injustiça!  E, claro, toda vez que um bicho morria e eu não podia fazer nada para impedir...
O piano era a rota final e a nota triste do dia. Foram muitas, inúmeras, as vezes que escondi minhas lágrimas naquele cantinho e devo confessar que ainda hoje, muitas vezes, sinto vontade de correr e chorar atrás do piano.
A gente cresce. Amadurece. Endurece.  E os motivos parecem os mesmos. Numa escala de menor pureza, talvez... A palavra que agora fere mais fundo. A injustiça que vem no trabalho. A decepção que parte de um velho amigo. E a perda...   Ah,  as perdas da vida madura... Vão se todos! Os bichos, os melhores amigos, os parentes chegados, os pais...  
A gente envelhece e não tem mais o velho piano pra chorar... Nem para acolher. Esconder não precisamos mais... O piano agora é só uma memória de criança e de uma música triste que tocou!  A gente agora, segue de dor em dor, correndo ligeiro...            
E não tem mais tempo, e nem piano por perto, pra chorar!

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